A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 29/05/2021

Segundo o pensamento de Leandro Karnal, historiador brasileiro, informação não é formação. Por meio dessa frase, é possível traçar um paralelo entre ela e a situação atual que se encontra a sociedade, em que pode-se ter acesso a milhares de informações em um curto período de tempo, por meio dos meios de comunicação. Contudo, sabe-se que dificilmente há um aprofundamento nas pesquisas sobre esses informes ou até mesmo uma reflexão para avaliá-los, já que muitas vezes a população acredita saber o suficiente sobre determinado assunto. Diante dessa perspectiva, é importante citar as consequências que esse problema está causando na geração que foi exposta às mídias desde muito cedo.

Em primeiro plano, cabe destacar o formato em que as notícias são divulgadas em praticamente todas as plataformas de comunicação. Em telejornais e sites de notícias, por exemplo, é possível observar que vários dados são divulgados de forma rápida e superficial, além de não haver intervalos entre um comunicado e outro, o que não deixa espaço para que as pessoas reflitam sobre eles. No mesmo sentido, o documentário “O Dilema das Redes” apresenta uma situação no qual é possível observar que há um sistema nas redes sociais que prevê que informações vão atrair o usuário e as enviam em grande quantidade. Contudo, muitos desses dados enviados são falsos, e por muitas vezes, como as pessoas não saem das redes para verificá-los em sites com credibilidade ou não refletem sobre eles , ocorre a geração de desinformação.

Cabe mencionar também as consequências que esse tipo de conduta vem causando na sociedade. Um estudo publicado pelo Canadian Journal of Psychiatry aponta que o tempo que os adolescentes passam na internet está relacionado com o aumento de casos de transtornos de ansiedade. Esse hábito pode ser justificado pela disponibilidade de milhões de novas informações a cada minuto na internet. Além da existência da inteligência artificial, que diversas vezes, é utilizada para fazer as pessoas passarem mais tempo navegando, fato que contribui também para a dependência digital, que segundo uma pesquisa realizada pela Ufes, cerca de 25% dos jovens apresenta.

Infere-se, portanto, que se faz necessário que as instituições de ensino realizem atividades para aumentar a habilidade de interpretação a partir da leitura e produção de gêneros jornalísticos. Também é fundamental que haja propostas para a realização de pesquisas efetivas em mídias confiáveis, além de dinâmicas que envolvam debates com base em dados válidos, com finalidade de incentivar o  pensamento crítico. Dessa forma, os adolescentes tenderiam a ficar mais atentos para a importância de refletir sobre as informações que são veiculadas nos meios de comunicação, fator que poderia diminuir a ansiedade e a dependência digital.