A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 24/06/2021

Em nenhum momento da história foi tão simples ter acesso à informações de todos os estilos. O livre trânsito de vários tipos de conhecimentos e conteúdos disponíveis para qualquer pessoa ligada à internet, é único na história da humanidade. Porém, essa vastidão de dados, em conjunto com as inúmeras formas de interação a elas, restringiu a capacidade de reflexão da sociedade como um todo. Isto ocorre devido à pressão imposta nesta era de manter-se atualizado a todo instante e por este turbilhão de materiais provocarem no usuário vícios similares ao de uso de drogas.

O sociólogo Émile Durkheim formulou a teoria da coesão social, cujo mote, em resumo, é a capacidade da reunião de indivíduos em grupos que compartilham de um mesmo valor. Com esta premissa, entende-se de fato o porque de existir uma imposição de se manter atualizado o tempo todo. Haja vista que as dinâmicas da sociedade de hoje tendem a se modificarem de modo instantâneo, por causa do bombardeio de notícias, dados e esclarecimentos dos mais variados modelos. Isto se torna pernicioso ao cidadão que se permite explorar ou se expor de alguma forma nas redes, pois aguça respostas biológicas de medo, já que a qualquer momento algo poderia impactar sua vida. Em suma, este efeito de constante estresse acarreta a um quadro profundo de angústia ou mesmo depressão.

Esta situação se agrava quando os próprios meios dispõe de maneira quase que desinteressada, a própria corda para as pessoas se enforcarem. No documentário “O Dilema das Redes Sociais”, que se encontra na Netflix, os criadores de redes sociais e programadores do Vale do Silício, mostram como todos os elementos de aplicativos e sistemas operacionais (Android, por exemplo), alimentam o vício do usuário por meio de artifícios gráficos e sonoros, que despertam-no gatilhos emocionais. Em virtude desses incentivos, associado às inúmeras interações acessíveis, o sistemo límbico passa a se comportar da mesma forma que sob efeito de entorpecentes, como a cocaína. Assim sendo, pessoas mais vulneráveis, como adolescentes, passam a sentir abstinência, forçando tratamento psiquiátrico.

Dessarte, percebe-se que os usuários não sabem lidar nem com tantas informações à disposição, nem com os estímulos nefastos que os meios de acesso as induzem, dificultando a possibilidade de haver uma reflexão e assimilação saudável ao conteúdo visto. Portanto, se faz mister que o Estado tenha à disposição de toda a população, centros de apoio psiquiátricos em universidades públicas direcionadas a todos aqueles que passem por algum problema relacionado ao mau uso da internet, para que consigam desvencilharem de seus vícios ou ansiedades por meio de tratamento adequado com médicos e psicólogos. Manter esta base para a sociedade, ajudaria a mesma a se apoiar enquanto ela própria procura uma forma de compreender os dias atuais e aproveitá-lo de maneira leve.