A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 14/10/2021
Ignorância humana catalisada pelo uso descontrolado da internet
Segundo Durkheim, a sociedade opera como um organismo. Seguindo esse raciocínio, é preciso que haja coesão e equilíbrio entre os elementos sociais para que não ocorra nenhum colapso. No entanto, a restrição da capacidade de reflexão oriunda do acesso fácil à informação na internet é um dos principais fatores que rompem com essa harmonia, tornando-se um impasse à consolidação de uma sociedade mais crítica. Em decorrência disso, é possível destacar a solidão e o aumento da vulnerabilidade do sujeito, respectivamente, como causa e consequência da problemática em questão.
Sob essa análise, cumpre ressaltar que, na natureza, economizar energia é fundamental para a sobrevivência, sendo um atributo inerente ao ser humano. Nesse sentido, a facilidade de acesso à informação na internet, uma vez de acordo com a natureza humana ao propiciar menor desgaste mental, tornou-se rapidamente popular e viciante, conforme levantamento da Ufes, que apontou que 25,3% dos adolescentes são dependentes da internet. Além do fato do vício ser prejudicial por si só, também provoca um distanciamento do “mundo real”, o que fragiliza as relações humanas, tema exaustivamente abordado por Zygmunt Bauman em tempos de modernidade líquida e uso inconsciente da internet. Como efeito, os indivíduos passam a viver uma vida solitária em que não há um verdadeiro controle do que consome, lê e assiste.
Paralelamente a esse dilema, é imperativo afirmar que a manipulação, que assume diferentes facetas, agrava o problema. O cérebro, por ser um músculo, deve ser exercitado para adquirir melhor desempenho, assim, caso não seja estimulado, o efeito surgido é contrário, as conexões mentais se tornam mais difíceis de serem feitas, o que é extremamente danoso ao desenvolvimento do indivíduo. Desse modo, uma vez acrítico das informações que o rodeia, torna-se um alvo fácil de notícias falsas e mal intencionadas, que aprisionam o sujeito na menoridade, conceito definido poro Kant, que seria um estado de incapacidade de utilizar-se do próprio entendimento. Consequentemente, a falta de pensamento crítico constitui-se como causa da vulnerabilidade social.
Portanto, faz-se urgente que o Ministério da Educação promova palestras no âmbito escolar com sociólogos e psiquiatras especialistas. Outrossim, as famílias devem controlar o acesso à internet dos jovens por meio de limitação de horários, além de manter um diálogo aberto a respeito da importância do consumo consciente online para que não sejam manipulados por algoritmos e notícias tendenciosas. Feito isso, haverá maior controle da própria vida e da gestão de informação, fazendo com que alcancem a maioridade kantiana e a harmonia social de Durkheim.