A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 16/10/2021

Sancionado em 2014, o Marco Civil da Internet, visa estabelecer os direitos e deveres dos usuários da grande rede no Brasil. Entretanto, apesar da grande quantidade de informações disponibilizadas “on-line”, a ineficiência na conscientização sobre a forma de usufruir dos recursos virtuais prejudica o exercício saudável das garantias estipuladas na lei. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado a revisão da legislação inerente e, à sociedade, a ostensiva conscientização acerca do tema.

Em princípio, sabe-se que a utilização harmoniosa dos recursos digitais é essencial para a homeostase (equilíbrio interno) e desenvolvimeto nacional. Nesse contexto, tal assertiva é corroborada pelos estudos do filósofo francês Pierre Lévy, em “Ciberdemocracia”, o qual defende que a internet coloca o indivíduo diante de um mar de conhecimento, mas que torna-se necessário filtrar a infinifade de informações e organizá-las em comunidades onde possam ser discutidas, em função do progresso. Desse modo, evidencia-se que o consumo crítico do conteúdo virtual é tão importante quanto as formas de obtenção da informação.

Em segundo plano, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das demandas sociais existentes. Nesse ensejo, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar da proatividade dos políticos a resolução para todos os problemas nacionais. Em contrapartida, como sustenta o autor, tem-se que o povo deve colocar-se como agente ativo de mudança. Isso posto, observa-se que, independente da política, a conscientização acerca das formas corretas de utilizar a internet deve ser iniciada, ainda, no seio familiar e nas escolas.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são copartícipes das soluções em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial para revisar o Marco Civil da Internet conforme as demandas atuais. Para isso, os parlamentares deverão consultar especialistas no assunto e a sociedade civil, de forma a garantir pluralidade aos trabalhos. Nesse ponto, uma boa linha de ação consiste na reformulação da disciplina de informática, do ensino básico, de forma a inserir a filosofia e a psicologia, em forma de diálogo, para um ensino mais crítico da disciplina. Assim, gradativamente, serão formados jovens mais conscientes acerca do uso reflexivo do ambiente virtual.