A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 07/11/2021
Segundo dados da UNESCO, cerca de 70% da população mundial tem acesso à internet hoje em dia. Assim, esse processo garante acesso a muita informação para bilhões de pessoas, que consequentemente têm sua vida alterada por esse processo. Assim, filósofos e pensadores associam o excesso de informação à perda da capacidade de reflexão. Nesse sentido, a maior parte da reflexão que sustenta a perda da capacidade de reflexão está ligada ao pensamento de Bauman. O letonio descreve que na modernidade a informação abundante criou um ambiente líquido, nos termos do filósofo, ou seja, uma realidade inconstante em mudança absoluta. Dessa forma, os apoiadores associam essa liquidez epistemológica à perda da capacidade de reflexão.
No entanto, os que sustentam essa tese esquecem de uma causa maior para essa perda de capacidade reflexiva. Para Slavoj Zizek, o estágio do capitalismo tardio tem por essência a característica de alienar o sujeito em todos os sentidos da sua vida. Ou seja, a superestrutura do sistema econômico produz desejos que reproduzem a ideologia capitalista, assim ainda que o acesso à informação seja grande o desejo de refletir se dilui.
À vista disso, é evidente a não existência da relação entre excesso de informação e perda da reflexão e, também, que esse problema está relacionado à ideologia capitalista. Logo, cabe aos movimentos sociais organizarem o proletariado, por meio de campanhas políticas de adesão, que devem ter capacidade de dialogar com os trabalhadores, a fim de acabar com o sistema de produção que aliena as pessoas.