A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 31/01/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos são prejudiciais para a sociedade. Nesse sentido, o mau aproveitamento da vasta quantidade de informação oferecida pela internet é um fato social patológico, configurando-se como gravíssimo para a coletividade. Sob esse viés, esse alarmante imbróglio não acontece somente devido à omissão estatal, mas, também, por causa da negligência da mídia.

Nesse panorama, o descaso do poder público é um imperioso promotor da deletéria utilização da “web” e da sua grande disponibilidade de informações, diminuindo a capacidade de reflexão. Sob essa ótica, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, assinando o Contrato social. Nesse prisma, o desleixo do Estado é uma infeliz quebra do Contrato social, porque não orienta os alunos sobre como usar a internet de uma maneira saudável e que aumente o intelecto, deixando como legado uma sociedade cada vez mais banalizada. Sob essa perspectiva, o poder público é inoperante nesse caso, já que não cumpre funções básicas, como o necessário ensino do manuseio correto do enorme conhecimento disponibilizado na internet.

Ademais, a escassez de devido foco dos meios de comunicação é uma notória incentivadora da inadequada gestão do uso da internet e, consequentemente, da redução na capacidade de refletir, apesar da numerosa gama de informações.  Diante disso, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Sob esse sentido, a desatenção da imprensa ao mau uso das redes digitais é uma banalização de um empecilho grave, porquanto adversidades expostas ao povo tendem a ser resolvidas com maior agilidade, tendo como consequência a mitigação dessa problemática.  Nesse viés, a mídia é criminosa nessa situação, pois não usa do seu contato com a população para expor as mazelas que assolam a comunidade e, assim, melhorar a qualidade de vida da população.

Portanto, para que haja um bom uso da internet, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, acrescentar uma matéria de ensino sobre a urgência de uma gestão no que se acessa digitalmente, por meio da sanção do presidente, a fim de cumprir o Contrato social de Hobbes. Somado a isso, a imprensa deve, com a ajuda da iniciativa privada, criar uma robusta campanha de conscientização sobre os riscos do uso ruim de redes digitais, por meio de cartazes publicitários, veiculados na internet e nas bancas de jornais, com o fito de tornar o país melhor e, por conseguinte, próspero.