A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 04/06/2022
De acordo com Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. Entretanto, o contexto atual do Brasil no século XXI contraria-o, uma vez que a internet restringe a capacidade de reflexão dos indivíduos, o que desestrutura a base da sociedade brasileira. Tal problema está relacionado, sobretudo, com a procura exacerbada da aceitabilidade, bem como a negligência dos internautas no meio ético on-line.
Deve-se destacar, primeiramente, que a busca exagerada pela aceitabilidade virtual mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Isso acontece, porque, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman, a invisibilidade no ambiente virtual angustia o indivíduo, o qual tem sua satisfação pessoal condicionada a ser aceito pelo receptor, de forma que eleve o seu ego. Assim, o internauta se dispõe a contrariar o pensamento crítico sobre si, e passa a se alienar, consumindo conteúdos distante de sua realidade e sendo quem não é. Desse modo, observa-se as pessoas cada vez mais com problemas de autoestima, confiança, distorção de imagem, conhecimentos superficiais, entre outros.
Ademais, é válido ressaltar que a negligência dos usuários da internet potencializa essa conjuntura. Sob essa perspectiva, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Contudo, visto que no mundo on-line muitos dos internautas reproduzem discursos sem embasamento, evidencia-se um efeito manada, em que propagam, em apenas um clique, informações fora do contexto e sem fontes seguras. Logo, o uso inadequado da internet transforma o virtual em uma terra sem lei, em que “cancelam” pessoas, prejudicando a imagem destas.
Infere-se, portanto, que é tempo de combater o retrocesso do uso da internet. Por isso, cabe ao Ministério da Saúde criar rodas de conversas para o uso mediático consciente. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação do projeto “desconecte”, o qual irá articular, junto aos psicólogos, nas agências de saúde, a fim de explicar a importância de manter o equilíbrio da vida real com a vida virtual. Além disso, o Ministério da educação, junto com os docentes, deve oferecer aulas sobre a ética on-line para que haja respeito aos direitos do cidadão na internet. Assim, o princípio de Aristóteles será, de fato, uma realidade no país.