A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 19/06/2022
A Constituição Federal de 1988, instumento que define todas as normas jurídicas do Brasil, prevê em seu artigo 6° a garantia ao acesso ao conhecimento para todos os cidadãos. Todavia, somente o acesso ao conhecimento deixou de ser suficiente para marcar uma sociedade como sendo desenvolvida, uma vez que o excesso de informações vem promovendo o surgimento de uma sociedade menos crítica. Desse modo, cabe debater como a ausência de ações do governo e da falta de propagandas da mídia favorecem essa mazela.
Mormentemente, é notório que a carrência de atitudes do Estado contribui para o surgimento de uma sociedade acrítica. Acerca desse tópico, o filósofo Thomas Hobbes desenvolveu o conceito de contrato social, acordo no qual o governo guia os cidadãos de acordo com suas necessidades e em troca esses depositam seus poderes na mão do poder soberano. No entanto, isso não ocorre, haja vista que, cada vez mais, há um aumento no número de informações que são disseminadas sem que haja o desenvolvimento de uma forma de controle. Consequentemente, cria-se uma sociedade incapaz de assimilar tantos dados.
Outrossim, o descaso da mídia em relação a esse problema é um agravante para esse quadro. Consoante o sociólogo Theodor Adorno, as empresas de comunicação tem a capacidade de influenciar na opinião pública e fazer com que determinados coportamentos ganhem relevância. Porém, esse poder não vem sendo utilizado de forma correta, posto que os instrumentos midiáticos não são insisivos quando se trata de combater a desinformação. Dessarte, menos indivíduos são capazes de se adaptarem a era das informações.
Portanto, para que essa problemática seja solucionada, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, cabe ao Estado, em parceria com a mídia, criar campanhas que informem as pessoas sobre como lidar com tantas informações de uma vez. Isso pode ser feito por meio da realização de propagandas que alertem sobre práticas que tornem os usuários mais conscientes, tais como, verificar a confiabilidade da fonte do conteúdo e não usar instrumentos digitais por mais tempo do que o necessários. Somente assim, se criará uma sociedade capacitada a superar esse desafio e ir além do que a Constituição de 1988 previu.