A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 12/09/2022

O poeta Carlos Drummond de Andrade, em sua poesia “Cidade Prevista”, idealizou uma sociedade harmônica e perfeita. No entanto, longe do mundo poético, tem-se na realidade a dicotômia sobre o uso da internet, uma tecnologia que tem a capacidade de concretizar o sonho drummondiano ou afastá-lo por completo. Nesse viés, é preciso analisar as benfeitorias que esse acesso à informação trouxe, assim como, é necessário atentar-se aos maus usos dessa inovação tecnológica.

A princípio, é válido mencionar que antes do surgimento da internet, os meios de comunicações eram restritos aos rádios, televisores, jornais e as cartas. Destaca-se que no seriado Chaves, dos anos de 1980, em um dos episódios o personagem “Seu Madruga” recebe da sua filha “Chiquinha” uma carta, na qual ela narra todos os acontecimentos recentes de sua vida. Nota-se que essa prática deixou de ser comum no cotidiano das pessoas, uma vez que, com o uso da internet e o surgimento das redes sociais, tudo se transformou. Assim, houve a facilitação do envio e recebimento de notícias, de igual forma, o acesso ao conteúdo que antes só era possível por meio de visitas às bibliotecas, fez com que expandisse a oportunidade de aprendizagem e conhecimento.

Outrossim, da mesma forma como tudo que há um lado bom, há um lado ruim, essa facilitação de manifestação do pensamento por meio das redes sociais, trouxe consequências para a sociedade. A Constituição Federal de 1988 reluz que é direito de todos a liberdade de expressão, no entanto, conforme evidenciado no programa “Big Brother Brasil”, em 2021, o cancelamento pode acarretar diversos problemas pessoais e sociais, como os que ocorreram com a cantora Karol Conka, que sofreu ameaças e perseguições após a sua participação no programa.

Portanto, medidas são necessárias para contér a propagação de discursos de ódio na internet. Cabe ao Ministério da Saúde promover por meio de campanhas elucidativas, nas redes sociais e nos demais meios de comunicações, orientações acerca dos problemas que o cancelamento pode causar, para que a população brasileira tenha conhecimento de que não é apenas uma opinião, mas um ato de perseguição social. Dessa, há de se refletir antes de “digitar”.