A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 07/10/2022

Sabe-se que Sócrates, o célebre filósofo do período clássico da Grécia antiga, teria afirmado: “só sei que nada sei”. Tal postura demonstra uma abertura epistemológica, pois é preciso duvidar do nosso conhecimento para, por meio da maiêutica, construirmos o verdadeiro entendimento das coisas. Nesse sentido, a tirinha “Armandinho” dialoga com o filósofo e sugere ser preciso construir o saber por meio da interlocução, apoiada na experiência de pais e professores.

Deste modo, como defende Jürgen Habermas, integrante da Escola de Frankfurt, o agir comunicativo é a chave para a elaboração de um conhecimento construído intersubjetivamente, já que o debate é fundamental para a construção de consensos. Logo, no caso em tela, o debate deverá ser articulado pelos pais e mestres, ou seja, os responsáveis em apontar as diretrizes da formação dos jovens, a fim de que evitem os excessos, seja de distrações como jogos e rede sociais, como também de acesso à informações, para as quais os indivíduos ainda não tenham maturidade suficiente para lidar.

Assim, pode-se dizer que, se, por um lado, a internet abriu as comportas da informação, por outro, tornou complexo o conhecimento da verdade, já que o indivíduo sente-se perdido em um mar de informações. Portanto, para que o jovem não se sinta tão perdido como o jovem robô do filme “Inteligência Artificial”, dirigido por Steven Spielberg, que usa o Google como uma espécie de pitonisa a indicar o sentido da vida, a família e os profissionais da Educação devem tutelar a construção desse conhecimento até que, paulatinamente, o infante vá desenvolvendo maturidade na construção de um caminho próprio.

Então, defende-se que o Ministério da Educação crie cursos de ensino de autonomia no âmbito da disciplina de Filosofia. Deve-se, com efeito, aumentar a carga horária dessa matéria, com pequenas alterações na LDP (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), treinando os professores para indicar um percurso intelectual que leve a construção de um indivíduo autônomo. Paralelamente, psicólogos realizariam palestras periodicas nas Escolas sobre o tema. Por conseguinte, com esse suporte, os alunos estariam capacitados, como Sócrates, a dar à luz a uma nova geração de cidadãos, usando a internet como ferramenta de crescimento.