A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 14/04/2023

No livro “Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente- metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que decorre no Brasil, por exemplo, o fato de ainda existir dificuldades em conciliar o uso produtivo e não prejudicial do espaço cibernético. Isso é causado pelo individualismo e pelo silenciamento.

Efetivamente, o individualismo existente em grande parte da sociedade pode ser evidenciado como um problema que perpetua para o mal uso da internet. Nesse sentido, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua tese “Modernidade líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: a fragmentação dos laços afetivos e o individualismo. Sob esse viés, ressalta-se que a passividade coletiva perante os problemas gerados pela forma inadequada de usufruir do ciberespaço, demonstra a realidade Bauniana. Isso acontece, porque, infelizmente, muitos indivíduos- preocupados com o consumismo e com seus desejos pessoais - afirmam não ter tempo, não se importando em absorver e refletir sobre a informação ali presente, priorizar o conhecimento e o senso crítico, e escolhem se manter entretidos em suas próprias vidas e tarefas.

Além disso, a ineficácia governamental sobre a população brasileira no meio virtual é retratada na música “Brasil Colônia”, da banda Oriente: “Lágrimas de sangue escorrem dos filhos deste solo, crianças pedem colo e a pátria mãe se isola”. Nesse contexto, a música denúncia que o governo peca em garantir e auxiliar questões básicas a população, como no desenvolvimento de campanhas para informar sobre os perigos da internet e seu mal uso contínuo, não cumprindo seu papel de “Mãe-Gentil”. Por conseguinte, a precariedade na falta de discursões e acesso à informação, ocasiona ainda mais, na falta de criticidade social.

Consoante ao apresentado, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda social mais democrática e específica, por meio da destinação de recursos e projetos para toda população, a fim de reverter a inercia estatal e, consequentemente, o individualismo que se estala nas consequências da ultilização indevida da internet, deixando de ser “aparente”.