A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 14/08/2023
Durante o período da Idade Média ter acesso a informação era extremamente difícil, possuir um livro era sinônimo de riqueza, cultura e conhecimento. Hodiernamente, com o avanço nas tecnologias da informação, tornou-se trivial o acesso a centenas ou mesmo milhares de livros com um clique. Contudo, essa torrente de informação é consumida sem a análise e reflexão devida. Diante disso, faz-se mister entender as causas e consequências dessa problemática.
Em uma primeira análise, vale ressaltar a baixa densidade intelectual dos conteúdos que são consumidos atualmente. Nesse sentido, o mito da caverna, de Platão, que descreve a situação de pessoas que se recusaram a aceitar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto, se mostra como uma analogia perfeita, visto que, hodiernamente, as pessoas preferem conteúdos voltados a um entretenimento rápido e superficial em detrimento de conteúdos que façam com que elas tenham que refletir sobre o que viram.
Ademais, consoante o filósofo Emmanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse aspecto, é notório que mesmo com o acelerado desenvolvimento da internet nas últimas décadas, o nosso sistema educacional segue sendo o mesmo, ignorando essas brutais mudanças da nossa sociedade, o que, por óbvio, contribui para que as pessoas utilizem a internet de maneira equivocada.
Destarte, urge que o Ministério da Educação, utilizando-se de verbas do governo federal, realize e promova palestras em locais públicos, como bibliotecas e escolas, com professores e filósofos, para criar o debate a cerca da necessidade de reflexão e análise mais profunda de notícias, livros e outras informações que consumimos na internet, a fim de capacitar a população para que ela passe a analisar de forma crítica e reflita sobre o mundo ao seu redor.