A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 10/09/2024
A cidadania, conceito que remonta à Grécia Antiga, envolve um conjunto de direitos e deveres que permite a participação ativa de indivíduos em um Estado. No entanto, embora os avanços civilizatórios tenham ampliado o acesso a esses direitos, observa-se, ainda hoje, a marginalização de usuários da internet, que enfrenta a superficialidade no consumo de informações, resultando em sua exclusão do pleno exercício da cidadania reflexiva. Diante desse cenário, é essencial analisar as causas e propor soluções que considerem tanto fatores sociais quanto governamentais que mantêm essa realidade no Brasil.
Em primeiro lugar, a negligência social em relação a essa questão merece destaque. De acordo com a filósofa Hanna Arendt, em sua obra “A Banalidade do Mal”, a passividade diante de injustiças permite sua perpetuação. Essa reflexão é claramente observada na indiferença em relação aos usuários da internet, cuja situação é frequentemente invisibilizada no debate público, o que impede a mobilização social necessária para pressionar o governo a agir. Assim, a falta de discussões mais profundas sobre o tema contribui diretamente para a continuidade do problema, reforçando a ideia de banalização do mal apontada por Arendt.
Além disso, é crucial abordar a insuficiência das ações governamentais. Conforme o pensamento de Nicolau Maquiavel, o governante frequentemente prioriza a manutenção do poder em detrimento do bem-estar coletivo. No contexto brasileiro, essa lógica se manifesta na escassez de políticas públicas voltadas para a educação digital crítica, visto que os interesses dos usuários da internet são frequentemente negligenciados por sua baixa influência política. Dessa maneira, a inércia do Estado contribui para a persistência dessa problemática, refletindo a prioridade dada ao poder sobre a justiça social.
Frente a esse quadro, torna-se imprescindível a implementação de medidas que promovam a cidadania plena. Para mitigar a superficialidade no consumo de informações, o Estado deve adotar programas de educação digital, especialmente em regiões carentes, por meio de investimentos que visem a inclusão social. Uma solução possível seria o redirecionamento de recursos, como os do Fundo Eleitoral, para iniciativas que promovam a formação de usuários mais críticos e reflexivos. Dessa forma, garantir-se-ia a equidade no acesso a direitos e deveres, promovendo uma sociedade mais justa e inclusiva