A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 09/10/2024
“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. De forma paralela ao denunciado na música “Que país é esse?”, da banda “Legião Urbana”, a Carta Magna garante que todos os cidadãos têm o direito de pensar por si, porém, com o avanço da internet, essa prática tem sido cada vez menos frequente, o que gera estigmas como a massificação do pensamento e extinção da essência do ser.
Primeiramente, segundo a teoria de Descartes, para que um ser humano exista, é preciso que ele pense, entretanto, com o surgimento de tecnologias cada vez mais eficazes e independentes esse requisito tem sido deixado de lado por muitos indivíduos. É o caso, por exemplo, de estudantes que usam o programa Chat GPT para realizar suas tarefas e trabalhos, deixando de exercitar essa parte de suas mentes e informando apenas o básico, contando com a internet para fazer o resto. Isso é prejudicial não somente por fazer com que a pessoa não desenvolva a capacidade de pensamento naquela área, como também por facilitar a massificação de ideais. Assim sendo, em virtude desses usuários estarem perdendo as suas capacidades de reflexão, é fácil chegar alguém má-intecionado e distribuir ideias, que antes não seriam acatadas pelos ouvintes, de forma convincente e obter sucesso em ter as mesmas difundidas.
Diante do exposto, é possível aplicar o conceito de banalidade do mal desenvolvido por Hannah Arendt, que consiste em uma idealização de que os indivíduos fazem coisas malignas, sem questionar, apenas por terem sido orientados a tal. Assim sendo, com as vítimas usufruindo cada vez menos de seus próprios pensamentos, ideias e reflexões, elas começam a ser induzidas a caminhos nunca cogitados, pois uma vez que deixam de consultar seu interior sobre o melhor a se fazer para si próprio, elas passam a perder seus valores, ideiais, ética e entre outros.
Portanto, urge-se a necessidade do Ministério da Justiça, órgão que administra a justiça no país, fiscalizar com maior afinco as atividades em redes sociais e criar leis que regulamentem o uso das mesmas, além de conscientizar a população acerca dos perigos de “terceirizar” seus pensamentos, por meio de campanhas e palestras, a fim de criar cidadãos fortes que pensem por si.