A judicialização da saúde no Brasil.
Enviada em 10/07/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma”, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com judicialização da saúde torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela morosidade do sistema judiciário nacional, seja pela omissão governamental, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é preciso atentar que uma das causas que corrobora para o problema é a morosidade processual brasileira. Segundo dados divulgados pelo site “Politize!”, existem cerca de 74 milhões de processos em tramitação no Brasil, a serem analisados por menos de 500 mil profissionais jurídicos. Dessa forma, infere-se que a elevada demanda litigiosa e a falta de especialistas qualificados corroboram de forma significativa para a vagareza do poder judiciário. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outro aspecto que deve ser destacado é a omissão dos setores governamentais, no que concerne à gestão eficiente do SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com o filósofo inglês Thomas Hobbes, “o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população". Toda via esta máxima não se faz presente na realidade do país, visto que esta negligência das autoridades faz com que muitos cidadãos brasileiros tenham que recorrer à justiça para ter acesso a um direito constitucional. Desse modo, é mister a reformulação dessa postura estatal.
Destarte, depreende-se que é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução desta problemática. Portanto, cabe Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, a criação e aplicação de programas de cuidado do bem-estar popular, que garantam o aumento da disponibilidade de exames e medicamentos na rede pública, por intermédio de politicas que visem a melhor distribuição de verbas no setor de saúde brasileiro, para que assim, todo o individuo tenha acesso aos seus direitos previstos pela constituição da nação e não tenham de recorrer a processos longos e desgastantes. Somente por meio de ações conjuntas, alcançar-se-á o ideal nacionalista tão almejado por Policarpo Quaresma.