A legalização dos jogos de azar no Brasil.
Enviada em 10/11/2019
Enquanto Las Vegas tem o mérito de ser a cidade dos cassinos, o Brasil ainda discute a legalização dos jogos de azar. Atrasados também nas decisões políticas, talvez percebamos, assim como percebeu Vegas, que a legalização dos jogos é positiva, haja vista seu efeito atrativo, que funciona como circulante monetário.
Primeiramente, é preciso desconstruir a argumentação de que a corrupção gerada pela legalização dos jogos de azar pudesse levar a um aumento da violência. Não devemos nos privar de qualquer coisa sob o pretexto de a polícia não fazer o seu trabalho corretamente, caso contrário não sairíamos de casa, dado que o policiamento, notadamente, não tem dado conta de proteger todos os lugares. Se criminosos tentarem, portanto, usar o marco regulatório como uma ferramenta para o que for, que a polícia faça seu trabalho e prenda esse delinquentes. Talvez seja necessário – e é perfeitamente aceitável –, que, para isso, mais equipamentos sejam adquiridos e mais gente seja contratada. Observa-se, então, que a corrupção gerada pela medida não pode ser argumento suficiente para a recusa da medida, pois isso seria o mesmo que dobrar às vontades dos criminosos o querer público.
É possível notar, ainda, que a legalização abre oportunidades de negócios que estão além dos jogos de azar. Por formarem grandes centros de atração, o volume de verba espalha-se para outros ramos como, por exemplo, hotelaria, turismo, arte, culinária, gerando emprego e oportunidades para muita gente. Levando em conta que o número de desempregados diminuiu com a crise de 2008 e que esta tem sido uma das principais preocupações do governo, não se deve descartar essa interessante possibilidade, que poderia reerguer, inclusive, a confiança dos investidores estrangeiros, o que diminuiria a discrepância do real frente à moeda internacional e permitiria uma suavização da dívida estrangeira, que chegou a 108 bilhões de dólares esse ano.
Tendo em vista, portanto, a possibilidade de gerar empregos e a solução – ao menos parcial – das relações externas, faz-se necessário que o governo aceite a resolução e que repasse maior verba para os órgãos públicos de fiscalização, com a finalidade de aprimorar a eficiência dos mecanismos que, agora, poderão resguardar o cidadão dos criminosos que, porventura, tentarem usar das brechas do sistema. É interessante, também, que o indivíduo desvincule-se falácias que prejudicam incorporação de boas ideias e esteja sempre aberto a soluções que, à primeira vista, pareçam negativas. Desse modo, ele poderá se posicionar coerentemente e fazer valer a sua própria voz no convencer dos políticos, a quem cabe deliberar ou vetar os projetos.