A legalização dos jogos de azar no Brasil.

Enviada em 07/04/2020

“Joias Brutas” é o longa-metragem mais recente protagonizado por Adam Sandler, nele, o personagem principal é um joalheiro endividado em razão de seu vício em jogos de azar e em apostas, o que traz problemas tanto sociais quanto econômicos para sua vida. Fora da obra, no Brasil, o vício em quaisquer aspectos mundanos, hoje, mostra-se como um perigo inerente aos cidadãos - o que foi ilustrado por Sandler no filme. Desse modo, é preciso apontar a natureza lúdica humana como o principal motivo para o desencadeamento de vícios, o que, infelizmente, promove uma falsa sensação de liberdade.

De início, cabe ressaltar que a necessidade dos seres humanos em se ancorar nos aspectos que perpassam o real é o estopim para os vícios e corrobora teorias de Johan Huizinga. Segundo ele, por meio do livro “Homo ludens”, é intrínseco à espécie a ávida busca por respaudos lúdicos, ou seja, por experiências surreais tocantes ao sensível: o que ele chama de “natureza lúdica”. Nesse sentido, esse anseio dos indivíduos, muitas vezes, traduz-se na busca por drogas, medicamentos, atividades prazerosas, etc, consolidando a crianção de vínculos vitais, vícios, frente a essa procura causada pela natureza lúdica.

Por conseguinte, enquanto esse traço da sociedade perdura, os vícios evidenciam uma questão atrelada ao livre-arbítrio. Para se depreender disso, é imperioso compreender a filosofia existencialista de Jean-Paul-Sartre, a qual se configura pela urgência referente às pessoas em assumirem as responsabilidades de suas ações, preconizando que “somos condenados à liberdade”. No entanto, o que se nota, nos dias de hoje, confronta Sartre, na medida em que as atitudes humanas sofrem influência, geralmente, dos vícios. Logo, a liberdade sartriana, enquanto ônus da espécie, não pode existir concomitante à natureza lúdica, fato que é observável no destino de Adam ao fim de “Joias Brutas” em razão de uma aposta: sua morte.

Portanto, visto os efeitos dos vícios nos indivíduos, infere-se que é ímpar a mudança dessa conjuntura a nível nacional para a dissolução de tal. Para tanto, compete às famílias brasileiras, enquanto unidades formadoras primárias de pessoas, o dever de instruir seus primogênitos acerca dos perigos que circunscrevem a consolidação de vícios, estando presente na vida desses e, sempre que urgente, aconselhando atividades e atitudes sadias, por meio do diálogo e do estabelecimento de laços amigáveis, a fim de eliminar essa mazela da sociedade. Destarte, observar-se-ia uma população que contrasta com o personagem de Adam Sandler e que possibilita o livre-arbítrio existencialista, de forma a atenuar a manifestação da natureza lúdica mediante vícios.