A legalização dos jogos de azar no Brasil.
Enviada em 04/11/2020
A obra cinematográfica norte-americana “Se beber, não case” ilustra o frequente caso de um civil que perde todos os seus pertences em um cassino de Las Vegas. Analogamente, fora das telas, a permissividade dos jogos de azar cunha-se nociva economicamente a diversos cidadãos, tendo benefícios apenas para uma parcela social. Nesse sentido, seja pela baixa instrução financeira populacional ou pela degradação de classes sociais já vulneráveis, a proposta de legalização das disputas de sorte caracteriza-se prejudicial a realidade nacional e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar o despreparo tupiniquim em administrar a própria renda. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, mais de 40% dos brasileiros possuem nomes negativos em análise de crédito, devido ao contingente de dívidas. Sob essa ótica, a ausência de educação monetária nas escolas afasta a perspectiva nacional dos países europeus — Lugares onde os jogos são permitidos. Dessa maneira, a normal propensão à falência e ao endividamento é alarmada, visto o alto valor das apostas e a baixa probabilidade de retorno. Segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Desse modo, instruir financeiramente os civis e manter o bloqueio dos jogos é mister.
Ademais, a parcela populacional mais carente é a principal afetada com os desafios ilegais. Nesse viés, os filmes “Se beber, não case” e “Até que a sorte nos separe 3” (produzido pela Agência Nacional de Cinema) retratam os ambientes competitivos como espaços de bebidas e consumo de drogas, diminuindo a capacidade cognitiva do cidadão. Inquestionavelmente, a efetivação de apostas se dá em maior quantidade por civis ingênuos, que desconhecem o mecanismos das máquinas e, assim, enriquecem mais ainda os detentores dos estabelecimentos. Indo de encontro ao pensamento do filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, promover uma fiscalização forte contra os jogos de má sorte é imperioso para o cuidado com a sociedade.
Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de preservar os indivíduos contra os vícios em disputas. Dessa forma, a criação de uma disciplina de economia financeira nos níveis médios de ensino, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é fundamental a fim de evitar que os futuros adultos sejam vulneráveis às jogatinas. Para isso, a renda do Ministério da Educação serviria como custeio dos professores. Outrossim, a realização de mais buscas apreensivas a máquinas de má sorte, por intermédio de parcerias entre o Superministério da Justiça e as polícias militares estaduais, é crucial no intuito de proteger os vulneráveis. Apenas assim casos como os de “Se beber, não case” e “Muita calma nessa hora 3”, não serão realidades no Brasil.