A legalização dos jogos de azar no Brasil.
Enviada em 09/10/2024
A roleta-russa é um dos jogos de azar que melhor sintetiza o caráter dramático da experiência de pessoas viciadas nessas atividades. Isso se dá porque o jogo, nas narrativas correntes, costuma ser a última via a que se recorrer quando um jogador perde tudo, e só lhe resta a própria vida para apostar. Dado o contexto, pretende-se admitir que, no Brasil, vive-se na iminência de um cenário tenebroso como o evocado pelas roletas. Assim o é porque a liberação mal gerida desses jogos pode levar a uma crise financeira generalizada, bem como acarretar o adoecimento mental da população.
A princípio, defende-se que a frouxa permissão legal ao jogos de azar prenuncia o caos financeiro. Isso se deve ao fato de que o jogador inveterado, diante da incerteza do ganho ou da perda, muitas vezes sacrifica o dinheiro que serviria para suprir suas necessidades mais básicas, contraindo dívidas que não poderá pagar. Nesse sentido, é pertinente um dado recente do Banco Central, que informa que beneficiários do Bolsa Família gastaram mais de vinte bilhões de reais em sites de aposta em agosto de 2024. Em vista disso, toma-se por certo um cenário com grande parcela de endividados mesmo nos extratos mais pobres da população.
Ademais, também a saúde mental de apostadores fica em risco diante da liberação dos jogos. Nesse segmento, é produtivo mencionar o trabalho do neurocientista David Eagleman, que, em seu livro “O cérebro intuitivo”, elabora que os seres humanos são regidos por mecanismos inconscientes do cérebro. Em decorrência disso, a tomada de decisão das pessoas se daria em função da promessa da recompensa, que, enquanto não alcançada, não deixaria saciar a ânsia do apostador, levando-o à adição patológica.
Portanto, infere-se que deve ser papel do Estado a boa regulação do mercado de apostas. Isso se faz não proibindo a atividade do negócio, mas instituindo medidas mais severas às quais as pessoas devem obedecer. Assim, o Ministério da Economia, com o intuito de prevenir contração exacerbada de dívidas, deve proibir o uso de cartões de crédito, bem como instituir horários fixos de funcionamento de sites de aposta para que usuários do serviço não se sintam impelidos a acessá-los sempre. Assim, muito se fará para que esses jogos não se tornem um martírio.