A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 28/03/2022
Arthur Schopenhauer, filósofo polonês, já afirmava através da “filosofia da vontade” que as pessoas são imbuídas da vontade de viver, de se autoafirmarem: “a vida humana, pois, passa-se toda em querer e adquirir”. Nesse sentido, a autoafirmação de grupos não-binários pela linguagem é a busca pela existência e reconhecimento coletivo. A língua em seu status quo privilegia o uso de pronomes do gênero masculino quando se referencia a grupos coletivos e, quando não, a pronomes no gênero feminino. Logo, a busca pela inserção de pronomes neutros vai além de uma mudança estrutural da língua, há uma busca pelo existir socialmente daqueles que não se identificam no modelo social vigente.
A série “Becoming you” produzida pela Apple retrata os primeiros 2000 dias de vida de crianças de culturas diferentes. A série explica que a criança passa a “impor” um gênero sobre si a partir das instituições presentes na sociedade. Isto é, se na escola apenas existem “menino” e “menina”, a criança tentará se adequar a um deles como as outras mesmo que ela não se identifique na prática. Muitas vezes essa não adequação à sociedade leva ao suicídios e a depressão, por isso a necessidade do debate sobre pessoas não-binárias.
Segundo Pierre Bourdieu, há uma luta simbólica no campo da linguagem e do discurso. Assim, é possível inferir que a busca pelo gênero neutro por não-binaries faz parte da construção de um discurso legítimo cujo tem por objetivo ser reconhecido e gerar efeitos sociais - o reconhecimento do gênero e da existências daqueles que são invísiveis ou inferiorizados por grande parte da sociedade. Uma das consequências de um novo discurso, segundo o sociólogo, é subverter o que está como hegemônico. Mudar para incluir.
Portánto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve se aliar ao Ministério da Educação com o intuito de inserir a diversidade de gênero na sociedade. Com ações educativas de base através dos estados e municípios, utilizando o gênero neutro, construção de banheiros sem distinção de genêro em qualquer estabelecimento privado ou orgão público são ações que atrairiam um olhar mais cuidadoso da sociedade sobre esse debate. Dessa maneira, teremos um futuro onde o “todos” reconhecerá a “todes”, se exceção.