A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 18/03/2022

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante que todo cidadão brasileiro é igual perante a lei, tendo, assim, os mesmos direitos. Entretanto, no que tange ao debate acerca da linguagem neutra no Brasil, as promessas constitucionais não são devidamente democratizadas. Nesse viés, é importante ressaltar as mudanças da língua no contexto sociocultural, além de postular a discriminação como o entrave desse quadro, o qual urge ser combatido.

Sob esse prisma, é imperativo pontuar que a língua portuguesa passa por constantes mudanças em sua estrutura conforme as demandas socioculturais, como a linguagem neutra e a sua necessidade de ser debatida nos cenários educacionais e mídiáticos. Para entender tal apontamento, segundo o sociólogo Émille Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico, por ser composta de partes que interagem entre si de forma interdependente. Analogamente, esse panorama sociológico encontra eco nas formas de comunicação e de socialização, em virtude do seu efeito nos setores sociais proporcionado pela língua.

Simultaneamente, ainda que a Academia Brasileira de Letras defina o gênero masculino como praticante da linguagem neutra no país, certas comunidades, visando a sua emancipação constitucional, procuraram garantir seu lugar na sociedade por meio do uso da linguagem neutra. No entanto, populações convervadoras e tradicionalistas tendem a esteriotipar e a discriminar essa forma de comunicação, uma vez que tais indivíduos carecem do acesso pleno à cultura e à educação. Logo, é evidente que a sociedade brasileira é diversa e, dessa forma, é preciso respeitar e entender as diferentes formas de expressões socioculturais.

Portanto, diante dos desafios supramencionados, é imperioso que o Ministério da Educação desenvolva um pacote de ações educativas a ser inserido na ensino básico e nas mídias sociais. Tal projeto possui a finalidade de elucidar e mudar as perspectivas dos grupos conservadores, mediante um debate coletivo nas escolas e nas mídias. Essa atividade escolar deve conter praticantes da linguagem neutra, e no contexto midiático, é interessante que esses mesmos praticantes façam uso de ‘’lives’’ nas redes sociais. Assim, as promessas constitucionais serão popularizadas.