A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 19/03/2022

Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismos ufanista, pois acreditava em um Brasil utópico. Entretanto, a linguagem neutra torna o país distante do que foi imaginado pelo protagonista sonhador. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema, de contornos específicos, que emerge tanto pela negligência governamental como pela má influência da mídia.

Em primeiro plano, é evidente que o descaso do governo se apresenta como promotor da comunicação indefinida no corpo social brasieliro. No que se refere a isso, é pertinente trazer a afirmação de Abraham Lincoln sobre a política: essa é serva do povo e não o contrário, por isso tem a incumbência de assegurar suas concessões. Somado a isso, o dado estatístico divulgado pelo portal G1.globo, o qual aponta um aumento de 30% no uso de pronomes neutros nas redes sociais, comprova que são necessárias ações efetivas o suficiente para mitigar a referência quantitativa exposta.

Além disso, a inadequada atuação dos meios de comunicação ainda é favorável para a persistência da substituição dos artigos femininos e masculinos na nação verde-amarela. Acerca disso, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa perspectiva, é observável que a mídia, ao invés de promover informações sobre o desleixo do Estado com comunicação indefinida, influencia com essa continuidade, em razão do silenciamento midiático. Assim, contribui com a perduração de uma situação que persiste atualmente e precisa ser cessada.

Portanto, é visível a necessidade de intervenção em relação ao uso da linguagem neutra no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Comunicação promova campanhas de conscientização social, por meio de escolas, universidades e praças municipais, no sentido de combater a utilização de pronomes neutros. Desse modo, tais campanhas devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, na iminência de combater a desinformação.