A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 21/03/2022

No filme ‘‘Garota Dinamarquesa’’, é retratada a história de Lili Elbe, o primeiro homem trans, que sofre preconceito por ter tomado uma decisão radical para a sociedade da época. De maneira análoga à obra, na contemporaneidade, o uso de pronomes neutros no Brasil é visto de forma negativa pela maioria dos cidadãos e, infelizmente, esse cenário gera problemas como a discriminação e a intolerância. Portanto, é necessário combater esses óbices, a fim de obter um país inclusivo.

Nesse viés, afirmar que o uso da linguagem neutra é exclusivo do grupo LGBTQI+ é uma forma de discriminar e estereotipar. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é capaz de moldar o indivíduo pela influência exercida sobre ele. Destarte, a minoria que opta por adotar modelos não convencionais acaba sendo excluída do meio social por conta de tipificações feitas pelos mais tradicionais. No entanto, além da opressão psicológica praticada contra os usuários dessa língua, podem surgir problemas piores como os casos de agressão. Logo, mesmo que esse novo dialeto seja opcional, ainda há uma intensa marginalização dos praticantes.

Outrossim, a austeridade fere não apenas os falantes da linguagem não binária, mas também a Constituição Federal de 1988. Desse modo, a Carta Magna brasileira que baseia-se na Declaração de Barcelona, e define como comunidade linguística toda a coletividade que desenvolve uma língua em comum como meio de comunicação, é contrariada. Nesse sentido, a ausência do devido respeito e o discurso de ódio poderão ocasionar os mesmos fatos nefastos supramencionados. Diante disso, é mais importante promover medidas que visem a reverência ao próximo como um resultado do que somente implementar um novo linguajar.

Em síntese, a emergência em pugnar os eventos citados requer medidas do Ministério da Educação, concomitantemente com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), com o intuito de abranger os segregados e impedir o comportamento repulsivo. Dessarte, urge alertar os alunos desde a infância para formar adultos responsáveis, por intermédio de palestras educativas, acerca das variedades e o viver em conjunto, feita por profissionais, como psicólogos e pedagogos. Ademais, o MMFDH deverá informar sobre os perigos da inflexibilidade, por meio de propagandas, a fim de alcançar uma nação igualitária.