A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 29/03/2022
A geração z, nos Estados Unidos, têm debatido com gerações anteriores a favor da adesão da linguagem neutra no léxico da língua ponderante, com a utilização de “they” e “them” como pronomes neutros. Não obstante, observa-se tal reflexo surgindo às margens da geração brasileira emergente. Dessa forma, com as duas vertentes contraditórias em análise, a que apoia o uso de termos ageneros e a que não os apoia, faz-se necessário discussões acerca da inclusão de minorias e a evolução da língua.
Primeiramente, destaca-se a negligência da sociedade para com as minorias. Sobre essa temática, Jonas Maria, criador de conteúdo LGBTQI+ e graduado em letras, afirma que a não abrangência de gêneros na linguagem destaca a relação de poder vigente na sociedade, que coloca a população transgênera à sua margem. Fato esse observado no novo seriado da Netflix , “De volta aos 15”, na qual é evidenciado as dificuldades da personagem Camila com a sua trajetória de adequação de pronomes. Dessa forma, conclui-se que a normalização e padronização da linguagem neutra torna-se uma ferramenta impressindível para o acolhimento dos marginalizados e superação das relações de poder de gênero.
Outrossim, contempla-se a mutabilidade da língua. Analogamente, Ricardo Lima, do Departamento de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirma que a língua é dinâmica e viva, portanto está predisposta à alterações com o decorrer do tempo e transições da sociedade. Logo, torna-se inevitável a transição da língua para a inserção do vocabulário neutro, tendo em vista esse caráter intrínseco da linguagem somado às exigencias da nova geração que demanda mais privilégios e inserção das camadas menospezadas.
Por fim, em vista dos fatos supracitados, ações devem ser tomadas para a aceitação da linguagem neutra. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação incluir na grade curricular cursos que discutam sobre gênero com o intuito de normalizar aqueles que fogem do “padrão”, feminino e masculino, e como a linguagem neutra é uma ferramenta inclusiva para estes. Assim, poder-se-ia superar as relações de poder de gênero hodiernas, discutidas por Jonas Maria.