A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 25/03/2022

Em 2021, a atriz brasileira Bárbara Paz disse em uma entrevista ter se descoberto como uma pessoa não-binária, ou seja, alguém que não se identifica completamente como mulher e nem como homem. Bárbara é uma das primeiras pessoas influentes brasileiras a falar publicamente sobre sua identidade de gênero ser não-binária. De maneira análoga a isso, a adequação da linguagem neutra foi posta em debate no Brasil. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a representatividade e o acolhimento de pessoas não-binárias na sociedade.

Em primeira análise, evidenciaria-se um aumento da representatividade, uma vez que pessoas não-binárias são um grupo marginalizado e esquecido pela sociedade. Sob essa ótica, a pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que pessoas não-binárias são 3 milhões de brasileiros, os quais 62% revelaram já terem sido alvos de discriminação. Dessa forma, com a implementação da língua neutra, pessoas não-binárias teriam maior visibilidade e aceitação.

Além disso, é notório que o acolhimento de pessoas não-binárias cresceria, visto que o conhecimento pela linguagem neutra seria abrangente, assim, facilitando o seu entendimento para a população em geral. Desse modo, tomando como base a citação de Roberto Peniche, “a representatividade é singular, poucos inspiram muitos”. Consoante a isso, a adequação da língua neutra traria maiores possibilidades de aceitação social.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a linguagem neutra em debate no Brasil. Logo, cabe ao poder público regularizar a adequação da língua neutra, por meio de uma emenda legislativa que adicione o seu uso na língua portuguesa, a fim de que haja representatividade para as pessoas não-binárias. Somente assim, personalidades como Bárbara Paz, sentiriam-se acolhidas completamente pela sociedade brasileira.