A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 25/03/2022
De acordo com o filófoso alemão, Martin Heidegger, “a linguagem é a morada do ser”, ou seja, é onde o indivíduo cresce e se constrói. Nesse sentido, os atuais debates sobre a linguagem neutra no Brasil são de extrema importância, visto que tratam da representatividade da população LGBT+ ao mesmo tempo que afetam o crescimento de todos os indivíduos. Nesse contexto, mesmo que vários posicionamentos já foram tomados, é essencial entender que qualquer mudança artificial na língua pode ocasionar consequências desastrosas.
Em primeiro lugar, o uso de “x”, “@” ou “e” para neutralizar as palavras da língua torna visível uma parcela da população que é sempre marginalizada, os LGBT+. Prova do estigma associado a essa comunidade é o maior número de homicídios sobre eles, de acordo com o site Globo. Desse modo, as discussões referentes aos pronomes neutros são uma peça fundamental para que os LGBT+ possam ser ouvidos e possam lutar por suas causas. Todavia, mesmo que tais debates garentem o espaço de fala, existem temas mais urgentes que a linguagem neutra, como, por exemplo, os assassinatos sobre essa população, fruto de preconceitos que devem ser mais abordados nos debates atuais.
Além disso, a língua evolui de forma natural, então qualquer mudança na linguagem que é imposta à sociedade é muito arriscada, tendo em vista o que Heidegger afirma. Nessa ótica, o livro “1984”, escrito por George Orwell, retrata um país governado por um sistema totalitário que impõe à população a chamada “Nova Fala”. Assim, no romance, essa nova linguagem, que é caracterizada pela falta de vocabulário, é usada como forma de dominação pelo governo pois ela dificulta o indivíduo em expressar seus sentimentos. Portanto, de forma semelhante à distopia, toda alteração imposta, a favor ou contra o uso da linguagem neutra, deve ser evitada porque pode gerar problemas indesejados.
Em suma, toda linguagem deve ser naturalmente modificada, e assim deve ser com o uso dos pronomes neutros. Para isso, as escolas, especialmente os professores de sociologia, devem trazer o assunto para as aulas, por meio de debates sobre o tema, com a finalidade de concientizar os alunos sobre esse aspecto. Somente assim, a morada do ser estaria segura, diria Heidegger.