A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 01/04/2022

De acordo com o 3° artigo da Constituição, um dos obetivos fundamentais da República Brasileira é a promoção de igualdade para todos, inclusive de gênero. Dessa forma, ao refletir sobre esta lei, a adoção da linguagem neutra no vocabulário do brasileiro não deveria ser vista como algo negativo. Muito pelo contrário, essa inclusão aumentaria os parâmetros da representação popular, além de que as críticas perante a ela vêm, em sua maioria, de uma visão de mundo antiquada, e predominantemente preconceituosa.

A priori, a aplicação da linguagem neutra na Língua Portuguesa pode parecer fútil, porém, seria um esforço de solidariedade. A abrangência do alcançe da comunicação entre seres humanos é uma reafirmação de suas identidades, e as dos indivíduos marginalizados por questões de gênero se tornariam mais valorizadas socialmente ao se adotar padrões linguísticos que remetem à inclusão destes. Parafraseando o filósofo Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que mais demonstra respeito pela dignidade humana”.

Entretanto, o que realmente impede a difusão desses novos padrões é um preconceito generalizado da população. Aos críticos, caracteriza-se um comportamento de negação quanto ao valor desta representação. Muitos afirmam que a necessidade do pronome “todes”, por exemplo, é inexistente, por causa da presença do “todos” como pronome neutro atual. Contudo, a nova versão neutra, além de remover a necessidade de classificação de gênero e a questionável dominância masculina da linguagem pronominal, traria uma abordagem ainda mais ampla ao se direcionar à qualquer tipo de ouvinte. O verdadeiro empecilho da situação é a visão de mundo ignorante dos que se recusam a considerar esta forma de acolhimento linguístico.

Pois bem, apesar de ser uma iniciativa que levaria anos para ser posta em vigor, o debate sobre sua importância não deve parar. O Ministério de Educação deve elaborar projetos para trazer estas discussões para ambientes escolares, e o Governo do Brasil deve reforçar a necessidade deste debate em esferas acadêmicas e científicas da Língua Portuguesa, para assim trazer plenitude à proposta de igualdade de gênero no país.