A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 01/04/2022
Consoante o escritor Olavo de Carvalho, quando os princípios universais do bem e da justiça são substituídos por exigências, supostamente justas, de grupos específicos, a injustiça geral se torna indiscernível da justiça autêntica. Nesse contexto, a linguagem neutra se apresenta como uma reivindicação restrita que, ao tentar modificar a língua portuguesa de acordo com os seus próprios interesses, tem aumentado a exclusão social e contribuído para a alienação das consciências.
Em primeiro plano, vale ressaltar que, segundo a UNESCO, em 2021 havia mais de 12 milhões de brasileiros analfabetos. Nessa perspectiva, a linguagem neutra se mostra como um obstáculo ao ensino e ao aprendizado do português e sua gramática. Desse modo, há a supressão da maioria com a tentativa de abolir a língua de uma nação.
Em segunda análise, é imperativo pontuar o livro “1984”, de George Orwell, que na narrativa exibe o termo “novafala”, uma tentativa do partido, autoritário, de alterar a linguagem como forma de manipulação das ideias e reconstrução, tendenciosa e falsa, da história. Fora das páginas, essa ficção demonstra uma possível realidade se a linguagem neutra substituir os gêneros masculino e feminino das palavras. Nesse sentido, essa mudança caótica prejudicaria a comunicação e a compreensão da mensagem.
Em síntese, diante dos desafios supramencionados, é imprescindível a ação do Ministério da Educação, em conjunto com o legislativo, na criação de uma lei que proíba escolas e faculdades de apresentar a linguagem neutra como parte integrante da gramática. Tendo em vista, um maior direcionamento das instituições de ensino no aumento da taxa de alfabetização do país, com a língua que indentifica os seus cidadãos como nação.