A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 07/04/2022

Em sua palestra no congresso TEDx, o sociólogo Dr. Peter Smith argumentou que uma sociedade evoluída é aquela onde toda a diversidade humana seja respeitada, seja ela racial, sexual, religiosa ou de qualquer outra origem. Esse é um tema relevante no momento atual no Brasil onde se discute a necessidade da linguagem neutra. A linguagem neutra visa democratizar o tratamento entre as pessoas, sem condicioná-lo a alguma definição sexual. É importante que a sociedade reconheça que a sexualidade humana é múltipla e não pode ser bem enquadrada em definições. Além disso, cada pessoa tem o direito de se identificar com um determinado comportamento sexual, aquele que mais lhe convém.

Primeiramente, deve-se compreender que é impossível definir em poucos termos a sexualidade humana como um todo. Somos seres complexos, com emoções complexas. Tamanha é a complexidade que não pode ser reduzida a poucos conceitos. Para a psicanalista Dra. Margarete Arrais, autora do livro “Minhas Escolhas”, querer definir a sexualidade é como restringir o que é possivel sentir e não sentir. Enquanto o ser humano tenta enquadrar em normas, novas emoções surgem desreispeitando as normas.

Por outro lado, cada pessoa é única no mundo e tem o direito de expressar seus sentimentos e emoções da melhor forma que lhe convém. De acordo com a psicóloga Dra. Maria Ribeiro, autora do livro “Eu e você”, o ser humano deve ser livre para se expressar como ser autêntico e para tanto deve ter sua sexualidade respeitada e não tolhida. A sociedade deve aprender que nós seres humanos não nos conhecemos totalmente e a cada vida nova novas emoções surgem, com novas maneiras de se expressar sexualmente.

Por tanto, compreende-se que a sexualidade está no centro das expressões emocionais de um indivíduo. Nesse contexto, para o ser humano se expressar livremente ele precisa de sua sexualidade acolhida e respeitada. Percebe-se então a importância de se modificar a linguagem para uma forma mais neutra, que acolha todas as possibilidades. Para tanto, propõe-se que o governo federal, através do Ministério da Educação, promova oficinas nas escolas a fim de orientar, com casos de exemplo, sobre a melhor forma de lidar com as diferenças sexuais.