A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 11/04/2022

Recentemente, a Netflix lançou uma nova animação que alavancou as discussões sobre o uso da linguagem neutra no Brasil. Na obra, intitulada “A guardiã do Museu”, uma personagem utiliza a forma neutra “todes” para se referir ao grupo que a rodeia. Inegavelmente, ao apresentar produções infantis que usam a linguagem neutra, a mídia ajuda a propagar uma forma errônea de definição sobre o que é gênero gramatical, causando confusão às crianças, que ainda não possuem maturidade para serem expostas a esses diálogos.

À medida que a mídia traz conteúdos que questionam se a personagem é menino, menina ou “menine”, mais crianças se sentem pressionadas a decidir precocemente sobre suas escolhas sexuais. Em consequência disso, é provavável que cada vez mais adolescentes entrem em conflito com a própria sexualidade, pois, fora do seu tempo, são impulsionados a se definirem e, não sabendo como lidar com isso, entram em crise.

Ademais, temos na língua portuguesa, o gênero masculino, que serve para designar todos os gêneros. No entanto é preciso lembrar que gênero e sexo são coisas diferentes. Isso quer dizer que uma palavra do gênero feminino não é, necessariamente, do sexo feminino (a cobra, a mesa, a criança, por exemplo).

Nesse sentido, urge que a escola corrija o entendimento de gênero gramatical e gênero biopsicossocial. É preciso também que a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, queer, intersexo e assexuais (LGBTQIA+) debruce-se sobre o estudo da língua portuguesa e compreenda que, além de não ser coerente o uso do pronome neutro, forçar essa adaptação não diminuirá o preconceito que o grupo sofre, apenas trará uma falsa ilusão de aceitação.