A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 03/05/2022
A primeira fase do Modernismo brasileiro, em 1922, possibilitou a utilização de novos dialetos e a valorização da língua popular no mundo das Artes. Saindo desse contexto e em direção à analise do reconhecimento da diversidade linguística no Brasil atual, é possível notar que, apesar de haver um vasto acolhimento acerca de algumas dessas variedades, ainda há uma falha em relação à outras. Exemplo disso é a linguagem neutra que, por não ter seu uso frequentemente respeitado ou reconhecido, desfavorece alguns grupos e reforça o machismo existente na sociedade.
Em primeira análise, pode-se notar que, no que se refere à variedade da Língua Portuguesa, a sociedade tem se mostrado progressista desde o século XX, aceitando e enaltecendo a multiplicidade de uso de falas, por exemplo, regionalistas. Tal fato, entretanto, aparenta resistir quando a linguagem não-
-binária é posta em questão. Isso pôde ser notado, por exemplo, quando a Secretaria da Cultura, em 2021, proibiu a utilização da linguagem neutra em projetos financiados pela Lei Rouanet (de incentivo à cultura), feito que demonstra exclusão.
Ademais, é necessário salientar que a ausência de representatividade da fala contribui para a invisibilização de grupos minoritários (como pessoas não-biná-
rias, intersexuais ou de gênero fluido), o que acarreta em discriminação e preconceito por falta de conhecimento. Além disso, a ausência do uso da linguagem neutra pode reforçar o machismo, uma vez que os pronomes mascu-linos são majoritariamnete usados, mesmo quando referidos em menor parte.
Logo, algumas medidas devem ser tomadas por instituições superiores para que haja a democratização do uso da língua. Cabe, portanto, à Secretaria da Cultura, juntamente com o Ministério da Cidadania, o investimento em campanhas publucitárias e palestras destinadas ao público em geral, com a abordagem do tema, de modo a incluir e melhor representar os grupos que são pouco visibilizados.