A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 15/04/2022
Na obra “Os Retirantes” do Cândido Portinari, há um retrato de uma realidade sofrida, em que um grupo marginalizado nordestino se encontra fugindo da seca. Analogamente ao que o autor quis representar em sua obra, atualmente, no Brasil, muitas pessoas da comunidade LGBT se encontram em situação de sofrimento, sempre fugindo dos preconceitos da sociedade. Recentemente, muito se tem debatido sobre a viabilidade da linguagem neutra para melhorar a situação dessa comunidade, contudo, apesar de essas pessoas merecerem tratamentos mais dignos, essa não é a forma mais eficiente de alcançar tal objetivo. Isso ocorre, pois essa comunicação mascara o real preconceito e deturpa o idioma, sendo necessário um redirecionamento do debate.
De fato, a linguagem neutra não exclui a homofobia, pelo contrário, ela a mascara. Verifica-se tal afirmação, pois a utilização de uma linguagem aparentemente inclusiva pode causar um sentimento de avanço contra o preconceito, porém problemas mais graves, como a violência contra pessoas LGBT, continuariam ocorrendo. Segundo dados do SUS, um homoafetivo por hora é agredido, no Brasil, o que jamais poderia ser mudado pela troca de “ele” ou “ela” por “ilu”.
Além disso, a utilização da linguagem neutra também configura-se como um deturpação do idioma, uma vez que impõe novas regras sem fundamentos linguísticos, como a utilização de “@” ao final de substantivos (amig@s). Tais medidas outorgadas, poderiam dificultar a leitura das pessoas e atrapalhar o aprendizado das crianças em um primeiro contato com a gramática normativa da língua portuguesa, segundo a deputada Ana Campagnolo. Sendo assim medidas mais eficientes torna-se necessárias.
Portanto, é importantíssimo que a sociedade redirecione o debate para questões mais pertinentes, quando relacionadas com a comunidade LGBT, por meio do enfoque a discuções de como mitigar a violência contra essas pessoas por exemplo. Isso deve ocorrer para ampliar o debate, de modo a atingir os reais problemas dessa populção, pois a linguagem neutra sozinha não possui o poder de desemparelhar a comunidade LGBT com o quadro de Cândido Portinari.