A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 21/04/2022
Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) um dos eixos norteadores do ensino de língua portuguesa é a diversidade linguística. Em concordância a isso, infere-se que a questão da linguagem neutra, como um expoente da pluralidade, deveria ter mais espaço no mundo. Mas, ainda é um impasse, uma vez que há re-sistências a uma possível variação. Assim, torna-se pertinente abordar dissenso de opniões a respeito da linguagem neutra, para entender tal debate no Brasil.
A princípio, é relevante discorrer a posição a favor da inserção da linguagem neu-tra no uso cotidiano. Nessa perspectiva, de acordo com Danillo Silva, linguista e professor do Instituto Federal de Alagoas, muitos dos termos usados hoje resplan-decem a figura masculina, como o vocábulo “todos”, que, para ele, quer dizer todos os homens e não todas as possibilidades de gênero. Isso demonstra que em uma sociedade diversificada, que contém variações de sexos, sexualidades, identidades de gênero, é imprescindível que a língua evolua para acompanhá-las e incluir cada uma. Destarte, entende-se que uma natural mudança na língua é defendida por um lado do debate acerca da linguagem neutra no Brasil.
Além disso, é válido explorar a teoria contra a adição da linguagem neutra na uti-lização social diária. Nesse sentido, o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciuncula, afirma que a linguagem neutra está destruindo os materiais lin-guísticos necessários para a manutenção e difusão da cultura, ou seja, o uso de íco-nes na língua, impede a fruição cultural e interrompe o precesso de comunicação. Assim, tal ideia enuncia a restrição das pluralidades sociais e exclui a chance de re-presentação das pessoas não binárias, por exemplo. Logo, percebe-se que o outro lado do debate sobre neolinguagem é resistente a um ajuste da língua no Brasil.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar a oposição a-cerca da inserção da linguagem neutra no uso cotidiano brasileiro. Então, cabe ao Ministério da Educação, junto ao da Cultura, promover o conhecimento sobre a lín-gua neutra no país, por meio de postagens midiáticas, palestras, podcasts, de mo-do que abranja o valor e o significado do uso, para que a sociedade aceite a adição da neolinguagem na rotina. Somente assim e ensino da língua portuguesa estará de acordo com a BNCC e promoverá uma inclusão efetiva das pluralidades.