A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 12/05/2022

O século XXI trouxe para o cotidiano brasileiro, especialmente no meio digital, a questão da neutralidade linguística. Esse fato trouxe intensas discussões acerca de sua funcionalidade, uma vez que há agentes defensores da imutabilidade gramatical da língua portuguesa, e aquelas que defendem a língua está em constante adaptação. Pensando nisso, é importante pontuar a importância da flexibilidade da língua, haja vista que esta é ferramenta da pluralidade social.

O debate em relação a linguagem neutra no Brasil parte de vários pontos, o primeiro deles sendo referente a questão de seu aprendizado e emprego no dia a dia. A língua portuguesa assumiu em sua gramática o uso do gênero masculino como forma de neutralidade. Contudo, as novas considerações acerca dessa apontam que ela se limita apenas as grafias binárias ( masculina e feminina), o que se revela problemático uma vez que são amplas as identidades assumidas pelas pessoas e que estas se refletem na língua também.

Outro ponto deste debate, é o respeito as identidades de gênero, já que estas são plurais, não se restringindo ao masculino e feminino. É indubitável que, a mudança não se limita ao campo gramatical, mas se expande para o social, haja vista que pessoas LGBTQI+ estão à margem das relações de poder na sociedade brasileira. Com isso, é importante que haja consideração a essas identificações neutras, uma vez que o desrespeito à identidade de gênero é, de acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), crime equivalente a racismo.

Diante do exposto, é necessário que tal debate seja evidenciado à sociedade a fim de se criar mais conscientização acerca do respeito aos pronomes escolhidos pelas pessoas. Assim, cabe aos Movimentos Sociais, por meio da mídia social, pressionar o Ministério da Educação para que este promova debates em todas as redes de ensino acerca da adaptação linguística, evidenciando que esta é mutável e está intrínseca não somente ao campo gramatical, mas também ao campo social. Além disso, estes mesmo movimentos, devem pressionar o STF, por meio de reuniões e protestos, a tornar mais rigorosas as punições aos crimes de homofobia e transfobia independente de seu grau de natureza. Desse modo, não apenas a língua portuguesa se tornará mais inclusiva, como também a sociedade.