A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 15/05/2022

A linguagem neutra é aquela referente aos pronomes sem viés de gênero, buscando a inclusão de populações marginalizadas. Recentemente, ela tem sido alvo de diversos debates no Brasil, mostrando uma dualidade de opiniões. Por um lado, existem as que cerceam a necessidade latente da adequação de termos que democratizem o português e, por outro, o alcance limitado à classes específicas.

Inicialmente, é preciso considerar a relevância da linguagem não binária para os grupos abrangidos por ela. Pessoas trans (que fogem do gênero dado ao nascer) são historicamente ignoradas, sofrendo violências que incluem, até mesmo, essa invisibilidade linguística. Dentro disso, o sociólogo Karl Marx traz a ideia de “contrato social”, definida pela função do estado de atender as necessidades coletivas e que não é cumprida nesse contexto. Destarte, incluí-las no diálogo brasileiro seria uma maneira de balancear as vozes em um discurso, além de potencializar as suas lutas pela obrigatoriedade de reconhecer tal população.

Em contraponto, existe uma forte desigualdade social no país. O conhecimento gramatical é, também, um dos elementos que não chega de forma uniforme às diversas camadas de classe. Sendo assim, a inclusão de termos indistintos estaria no mundo das ideias de Platão, onde tudo é perfeito, já no plano real, a comunicação seria difícil e inacessível aos estratos sociais mais baixos, configurando-se elitista. Não obstante, a sua aplicação se mostra mais viável para meios informais de diálogo, pois até a expressão verbal de palavras com “x” ou “@” ainda são afônicos, mostrando-se complicadas e restritivas.

Então, é de grande relevância a inclusão da linguagem neutra no vocabulário rotineiro do Brasil. Porém, para que o objetivo seja satisfatoriamente cumprido, é preciso que os expertos a normatizem com regras simples e exequíveis. Paralelamente, o apoio estatal em conjunto com o poder midiático são os responsáveis por garantir a expansão da informação, a ensinando em escolas e difundindo por propagandas que conversem apropriadamente com o interlocutor. Em suma, os problemas citados poderiam ser sanados e pessoas marginalizadas seriam reaproximadas dos demais.