A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 06/06/2022

O filósofo grego, Platão, disse que “o importante não é viver, mas viver bem”. Esta afirmação vem à tona com os debates em torno da linguagem neutra no Brasil, tendo em vista o caratér de conforto que ela traz aos indivíduos que preferem esta forma de tratamento. Entretanto, a tendência da sociedade à estagnação e a recusa à evolução, juntamente com a desorganização em torno dessa mudança, atrasam e atrapalham a sua plena utilização.

Em primeira análise, cabe citar a resistência à mudança e o apego ao tradicional como fatores viabilizadores da ineficácia no uso das palavras neutras no país. Isso ocorre porque a norma padrão da língua portuguesa foi difundida como certa, e qualquer desvio é considerado errado perante a sociedade, divergindo da própria área da educação, a qual trata como preconceito linguístico todo tipo de discriminação derivada do modo de fala do indivíduo.

Em contrapartida, a ineficiência dos métodos empregados nessa adaptação linguística prejudicam uma parcela importante da população. Um exemplo disso é o dado divulgado pelo jornal eletrônico R7, o qual informa que o número de deficientes visuais no Brasil é em torno de 10 milhões de pessoas. Dessa forma, levando em consideração a dificuldade ainda vigente dos softwares de leitura de tela em codificar as palavras escritas de maneira diferente da habitual, nota-se a dificuldade que essa inovação traria a estes indivíduos.

Portanto, a partir do debate em torno da linguagem neutra no Brasil, é imprescindível a atuação do Governo Federal na preservação do bem estar da população, por meio de investimentos na área da tecnologia, com foco na melhoria e inovação de produtos voltados ao público portador de algum tipo de deficiência, com a finalidade de garantir que o uso da linguagem neutra não os prejudique. Além disso, cabe aos institutos educacionais, juntamente com a mídia, a propagação das normas da língua portuguesa, de modo a deixar claro a constante evolução da mesma, o que faz com que modificações sejam possíveis e importantes para fornecer aos indivíduos os meios necessários para que vivam de fato bem, como requerido por Platão.