A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 24/05/2022
Linguagem neutra: uma questão de nicho
Atualmente algumas minorias vem ganhando bastante espaço na sociedade brasileira, e até no mundo, e vem movimentando o debate público em torno de suas propostas e caprichos. É o caso da linguagem neutra, defendida por grupos identitários vinculados ao LGBTQIAP+, antigo GLS, GLBT ou LGBT, grupo que atualmente representa as pessoas que Lésbicas, Gays, Transexuais, entre outros.
No Brasil, esse movimento pró linguagem neutra começou de forma tímida em 2014, a partir do “Manifesto Ile Para uma Comunicação Radicalmente Inclusiva”, mas em alguns países como a Suécia o termo neutro “hen”, usado desde os anos 2000 pela comunidade transgênero, já foi incorporado ao dicionário da língua sueca. Hoje já há inclusive profissionais da Educação - geralmente militantes de esquerda ou pessoas com uma mentalidade mais progressista - apoiando tal absurdo com a justificativa de que a adoção dessa linguagem não binária proporcionaria uma inclusão das pessoas que não se identificam com o gênero masculino ou feminino. Além disso, fala-se da fluidez da própria Língua Portuguesa, que vem passando por mudanças aos longo do tempo, para justificar a implantação de novas mudanças.
A linguagem neutra, no entanto, é uma forma artificial de modificação da fala, uma imposição de um pequeno grupo que acredita que deve interferir na forma como as maioria das pessoas se expressam porque supostamente se sentem ofendidos. É quase como se qualquer tribo urbana quisesse universalizar as suas gírias, ou um dialeto se tornasse o “mais correto”, o que vai de encontro a tão pregada liberdade de expressão defendida por esses mesmos grupos sociais que, muitas vezes, criticam as imposições da Gramática Normativa, que convenciona as normas da Língua Portuguesa, como faz o linguista Marcos Bagno em seu livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”.
Sendo assim, cabe à linguagem neutra o lugar, no máximo, de uma variante linguística artificial, e os seus simpatizantes estão livres para utilizá-la assim como pode-se brincar com a língua do “pê”, como fazem as crianças. Haverá entendimento e comunicação, que é o que realmente importa? Talvez!