A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 28/06/2022

Em um episódio da série médica Grey`s Anatomy, a linguagem neutra é apresentada como uma forma de incluir e valorizar a diversidade. No seriado, um dos médicos se depara com uma paciente trans, a qual o exige a tratá-la com o gênero neutro. De pronto, o médico aceita, mas ao decorrer do episódio acaba a reconhecendo de forma hostil e despreparada. Fora da ficção, a repulsa à neutralidade da língua é evidenciada, visto que a sociedade civil não possui uma familiaridade com tal perspectiva. Dessa forma, deve-se analisar a importância da linguagem neutra, bem como o que a impede de fixar-se como dialeto.

Em uma análise primária, observa-se que o gênero neutro tem se tornado essencial nas relações contemporâneas. Nesse sentido, a neutralidade da língua é inerente à identidade de gênero, a qual visa garantir o respeito à diferença e, principalmente, a inclusão de uma parcela social. Ademais, quando aplicada, o neutro evita excluir em qualquer aspecto o interlocutor - o ouvinte -, pois, segundo Paulo Coelho, “a linguagem […] irá determinar a maneira correta de descobrir e manejar a sua existência” - uma questão de identidade individual. Dessa forma, à medida que a neutralidade for negligenciada, a sociedade continuará segregando a minoria e seus direitos.

Por outro lado, diversos obstáculos impedem tal ótica, como a aversão popular. Nessa linha, para a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), a linguagem neutra é fator de igualdade e liberdade individual. Na realidade, acontece que o discurso privilegiado e machista da população sobre as novas formas de identidade mostra o retrocesso acerca da liberdade amplamente defendida pela PFDC. Com isso, a violência aplicada fisicamente sobre a minoria passa a se apresentar verbalmente, isto é, uma restrição do direito individual.

Portanto, nota-se a necessidade de preservar a linguagem neutra. Para isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, órgão regulador dos direitos individuis, deve garantir, por meio de sua jurisprudência, que a linguagem neutra não seja banalizada, criminalizada ou, até mesmo, impedida. Outrossim, o Ministério da Educação deve expor na escolas a importância de respeitar tal dialeto. Assim, é possível instituir, de forma eficaz, a inclusão da diversidade.