A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 05/07/2022

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência em uma sociedade que insite em negá-la”. A frase da filósofa brasileira Djamila Ribeiro representa a realidade da comunidade LGBTQIA+, que não tem o seu gênero - ou a falta dele - reconhecido. Assim, com o intuito de diminuir referenciada luta, surgiram os pronomes neutros, proporcionando mais inclusão à essas pessoas. Entretante, a linguagem neutra tem encontrado oposição da sociedade brasileira.

De antemão, há uma resistência aos pronomes neutros devido ao machismo estrutural vigente no Brasil. Ainda que mais abrandado, o sistema patriarcal ainda vigora no país verde e amarelo, podendo ser percebido, inclusive, na gramática brasileira, que tem o pronome masculino como designador de todos os gêneros. Por isso, muitos estudiosos se apoiam na norma culta para descredibilizar o uso do gênero neutro, não lhe dando, consciente ou inconscientemente, a devida importância, afinal “porquê dizer ’todos, todas e todes’ se ’todos’ engloba os três?”.

Ademais, os costumes e pensamento intolerantes intrínsecos na sociedade confere grande dificuldade em adaptar-se ao novo. Ou seja, estamos acostumados ao pensamento e à linguagem padrão supracitados de tal forma que relutamos a habituar-nos ao desconhecido. Isso é bem ilustrado pela personagem Beth Person, da série de TV americana “this is us”, que, despropositadamente, sempre chamava a namorada de sua filha, que se identificava como “elu”, por “ela”, por conta da sua desfamiliarização com o termo.

Sendo assim, faz-se necessária a aderência da linguagem neutra pelas mídias televisivas, em novelas, entrevistas, programas e comerciais, a fim de garantir a adaptação a estes termos, para que ocorra maior inclusão das massas LGBTQIA+. Desta forma, a frase de Djamila Ribeiro não mais será uma representação da realidade vivida por essas pessoas.