A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 10/11/2022
É notório que os debates sobre a linguagem neutra na sociedade são permeados de preconceito, principalmente, no Brasil. Entre outros fatores relevantes para a ocorrência dessa problemática, destacam-se: a falta de conscientização sobre o tema nos ambientes educativos e o conservadorismo cultural motivado pela marginalização dos grupos minoritários inseridos neste cenário.
Em primeira análise, é consenso que o país enfrenta diversos problemas no trato de questões sociais envolvendo minorias. É possível observar que a falta de informação sobre o assunto contribui para a construção de diversos tabus, como os enfrentados pelas pessoas que se identificam como não-binárias ou sem gênero definido. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Por conta disso, o papel de desenvolvimento educacional realizado nas escolas se torna fundamental, buscando esclarecer dúvidas e questionamentos pertinentes à essa questão.
Além disso, a discriminação com esses grupos se camufla em muitos dicursos conservadores. São recorrentes em rodas de diálogo sobre o tema os argumentos de opositores de que os pedidos de alteração da norma linguística resultariam numa descaracterização da língua. Contudo, as diretrizes de escrita e comunicação já passaram por diversas transformações em vários períodos da história, buscando acompanhar as inovações observadas nas sociedades em que estavam inseridas. O filósofo São Tomás de Aquino defendia o direito isonômico de ofertar direitos, independentemente das condições ou papéis sociais. Sendo assim, as reivindicações para a solução desse embate são legítimas e necessárias.
Diante do exposto, cabe ao Estado - na condição de garantidor dos direitos individuais e coletivos - organizar planos de modernização das normas gramaticais junto aos profissionais da educação, por meio de palestras e materiais publicitários nas mídias informativas, visando ampliar o alcance da discussão, e fortalecer o direito à cidadania de todos aqueles inseridos neste contexto.