A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 22/11/2022

A cantora norte-americana Demi Lovato se identifica como “não-binárie”, isto é, não se associa a um gênero. Por isso, quando as pessoas dialogam acerca dela, utilizam, geralmente, a linguagem neutra. Ocorre que, no Brasil, onde o português é o idioma usado pelos indivíduos, há uma variação lexical, a qual depende, também, do gênero, o que evidencia, ao introduzir a linguagem neutra, a agressão à formalidade e, com isso, o número de analfabetos é ampliado.

Diante desse cenário, a norma padrão da língua portuguesa não insere, na perspectiva populacional, a neutralidade nas palavras. Isso acontece, porque o latim, ao originar o idioma dito pelos brasileiros, teve o gênero neutro caracterizado pelo masculino, ou seja, tal função é exercida no português, mas não de forma separada, como no inglês. Assim, as pessoas desejam criar pronomes e alterar palavras, visto que têm um pensamento incoerente fundamentado na inexistência da neutralidade e, devido a isso, possuem escolhas lexicais que vão de encontro à gramática normativa.

Contudo, os que vão contra a adoção da linguagem neutra pela sociedade em massa, reconhecem-na como desnecessária e desprovida de embasamento linguístico. Segundo o professor e youtuber Noslen Borges, a língua portuguesa já inclui todos os gêneros no uso do masculino, em decorrência da passagem do latim para o português, ainda no Império Romano. Assim, fica claro que a transformação da língua precisa ser um processo orgânico, ao contrário da artificialidade que se tenta impor atualmente.

É preciso, portanto, reconhecer as problemáticas que acompanham a linguagem neutra como forma de inclusão. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação expandir o debate sobre pautas sociais nas escolas brasileiras, por meio de minicursos, como oficinas e palestras, com temas que trabalhem a necessidade de respeito às minorias sem prejudicar o restante, a fim de desconstruir a tentativa de categorizar a língua portuguesa como excludente e opressora. A partir disso, é possível esclarecer que a luta pela inclusão não é contra a língua.