A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 21/11/2022
A linguagem neutra é um fenômeno linguístico vinculado às lutas identitárias de grupos LGBTQ+. Criada há cerca de 10 anos, no contexto das redes sociais, grafa ‘x’ ’e’ ou ‘u’ em substantivos para neutralizar o gênero gramatical, com objetivo de tornar a comunicação mais inclusiva e menos sexista.
De acordo com a enquete promovida pela Gazeta do Povo, 92% dos participantes declararam ser contrários à incorporação da linguagem não binária. Apenas 8% dos 5.180 leitores responderam afirmativamente. Um dos principais pontos levantados por quem é contra o uso da linguagem neutra é que as novas grafias tornam a comunicação repetitiva e longa. A compreensão das palavras também poderia ser comprometida.
Do mesmo modo, é importante destacar que segundo o filósofo Rosseau, uma pessoa só consegue ser feliz se estiver livre para desenvolver suas vontades e instintos naturais. Rosseau também destaca que a desigualdade surge quando existe a necessidade de um superar o outro numa busca constante de poder e riquezas, para subjugar os seus semelhantes.
Ademais, a linguagem possui o intuito de promover respeito à diversidade das pessoas, seja por sua orientação sexual ou identidade de gênero. A adoção da linguagem neutra é essencial para uma boa experiência de comunicação. Afinal, nem todas as pessoas se identificam com o gênero masculino.
Contudo, cabe ao poder público junto a ONG Igualdade dedicar-se, de modo factual, à uma legislação que inclua a linguagem não binária no meio social, e também a criação de eventos sociais que pormenorizem o tema ao público, a fim de propiciar uma realidade abrangente e equitativa.