A linguagem neutra em debate no Brasil

Enviada em 22/11/2022

Como disse Ian Malcom em Jurassic Park, “A vida se liberta. Cruza fronteiras, rompe barreiras. Dolorosa ou perigosamente, mas, bem, é como é.” , ou seja, a vida se molda da maneira que se sente necessária, sendo assim também a linguá portuguesa. O Português após surgir do Latim vulgar e do galego, teve sua separação de gêneros em masculino e feminino, porém, o gênero neutro presente no Latim acabou sendo afiliado ao masculino e essa mudança está sendo discutida nos dias atuais por conta da sensação da “falta de inclusão”.

Na Alemanha foi adotado o uso de uma forma não oficial em 2021 para contornar esse problema, mas mesmo tendo representação, houve problemas de “poluição visual” nos textos. Doris Mendlewitsch, de 64 anos e consultora de comunicação, conta que a forma usada para contornar o problema, utilizando asteriscos e uma terminação feminina no final, acabou carregando demais os textos e desfocando do assunto.

No Brasil, o problema da legibilidade também é debatido por conta da Linguagem Neutra não ser desenvolvida o suficiente, muitas mudanças feitas para inclusão acabam indo contra a concordância morfológica, mesmo sendo feito com uma boa causa, a aplicação iria afastar ainda mais grupos sociais, nesse caso, atingindo deficientes e analfabetos. Em 2019, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade foi de 11 milhões de analfabetos, e em deficientes, segundo o IBGE, cerca de 70% das pessoas com deficiência no país não concluíram o ensino fundamental.

Cada grupo tem que ter sua devida importância no acesso e representabilidade da Língua, porém, tentar impor o uso de algo se adequando da moralidade de “pessoas estão sendo desvalorizadas” acaba por si só de causar apenas a inclusão do que lhe convêm. Para poder ocorrer essa mudança de forma natural e não artificialmente, deve-se primeiro tratar da situação educacional, assim um intensivo trabalho do MEC para promover a infraestrutura em escolas, recursos para educação básica que atrairá crianças e jovens e continuar o incentivo do EJA destinado a quem não terminou ensino de educação. Casos de pessoas financeiramente ruins, pode-se acabar incentivar o Jovem Aprendiz para ser uma forma do jovem sem condições continuar estudando. O Congresso Nacional aumentando o salário dos aprendizes, acabaria realizando essa possivel forma de pagar a mensalidade ou os materias, possivelmente assim com a alfabetização, abre o espaço necessário para poder ver e analisar as formas que a linguagem neutra pode ser melhorada para um melhor entendimento e aceitação.