A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 25/02/2023
A Idade Contemporânea abriu espaço para debates sobre diversas pautas sociais, dentre elas a linguagem neutra e seu uso por toda a população. Nesse sentido, a parcela que defende seu uso, considera-o um meio de inclusão, enquanto os demais o vêem como elitista e desnecessário. Dessa forma, é preciso debater as vantagens e desvantagens do uso da linguagem neutra fora do seu grupo social.
A princípio, os apoiadores do uso da linguagem neutra argumentam que esta incluiria a parcela marginalizada da população, como não-binários e travestis. Entretanto, essa suposta inserção de um ínfimo grupo social, acarretaria na exclusão da maioria da sociedade. Como caso análogo, pode-se citar o comprometimento da captação da mensagem por surdos, disléxicos, autistas e semi-analfabetos, estes últimos representando mais de 50% da população brasileira, segundo o IBGE. Nesse contexto, fica claro que, em uma democracia, não se pode colocar uma minoria à frente da maioria em nome de uma pseudo-inclusão.
Por outro lado, os que vão contra a adoção da linguagem neutra pela sociedade em massa, reconhecem-na como desnecessária e desprovida de embasamento linguístico. Segundo o professor e youtuber Noslen Borges, a língua portuguesa já inclui todos os gêneros no uso do masculino, em decorrência da passagem do latim para o português, ainda no Império Romano. Assim, fica claro que a transformação da língua precisa ser um processo orgânico, ao contrário da artificialidade que se tenta impor atualmente.
É preciso, portanto, reconhecer as problemáticas que acompanham a linguagem neutra como forma de inclusão. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação – no exercício de sua função social – expandir o debate sobre pautas sociais nas escolas brasileiras, por meio de minicursos, como oficinas e palestras, com temas que trabalhem a necessidade de respeito às minorias sem prejudicar o restante, a fim de desconstruir a tentativa de categorizar a língua portuguesa como excludente e opressora. A partir disso, é possível esclarecer que a luta pela inclusão não é contra a língua.