A linguagem neutra em debate no Brasil
Enviada em 28/07/2025
O termo “cientista” foi criado no século XIX para incluir mulheres que trabalhavam com ciência, substituindo as expressões “filósofo natural” ou “homem da ciência”. Análogo a isso, atualmente, muito se discute no Brasil quanto à implementação da linguagem neutra como forma de acolhimento da comunidade LGBTQIA+. Contudo, é necessário avaliar os impactos positivos e negativos que tal alteração pode causar, pois simultaneamente integra indivíduos não-heteronormativos e é um obstáculo para alfabetização que necessitam de apoio adicional no processo de aprendizagem.
Primeiramente, a adoção formal da linguagem neutra é essencial para promover a plena inclusão de indivíduos não-binários na sociedade. Sob esse viés, a socióloga Djalmila Ribeiro esclarece quanto à necessidade de retirar da invisibilidade um dilema, como a marginalização da comunidade LGBTQIA+ na sociedade, para então solucioná-la. Nesse sentido, a incorporação do dialeto neutro facilitaria o avanço da luta por reconhecimento numa sociedade heteronormativa, patriarcal e homofóbica.
Todavia, a aplicação desse estilo de expressão alternativa, ainda que inclusivo para um grupo torna-se excludente para outro, na medida que dificulta a aprendizagem daqueles com limitações cognitivas, deficiências visuais ou baixa escolaridade. Sob essa ótica, o filósofo Aristóteles alertou a respeito da indispensabilidade de se tratar os desiguais, como as pessoas que carecem de maior suporte para alfabetização, segundo a medida de suas desigualdades. Logo, é urgente que se promova a abordagem educacional verdadeiramente equitativa.
Portanto, diante dos desafios da linguagem neutra, o Ministério da Educação deve elaborar diretrizes que aliem inclusão e clareza comunicativa, por meio de comissões técnicas compostas por especialistas em linguística e acessibilidade em escolas públicas e privadas, estabelecendo normas de uso adequadas ao ambiente escolar. Assim, será possível promover uma educação inclusiva e eficaz.