A literatura como meio de ressocialização de detentos
Enviada em 05/11/2022
“A cultura está acima da diferença da condição social”. Com tais palavras, atribuída à Confúcio, célebre filósofo chinês , conclui-se que é preciso existir cultura na vida das pessoas, idependentemente do contexto social em que se vive. Para além disso, uma de suas ramificações - a literatura - é capaz de mudar todo o quadro social de um indivíduo, através de identificações e reflexões, por exemplo. Por isso, é fulcral o desenvolvimento do hábito de leitura no processo de ressocialização dos detentos, uma vez que, para sair da margem, é preciso que eles não se sintam marginalizados.
A priori, pode-se destacar o fato do exercício da leitura desencadear um processo de emancipação e desenvolvimento da criticidade, fator imprescindível para a recuperação de pessoas em situação de cárcere, já que, dessa forma, eles podem entender a realidade que os cercam e alterá-la. Para ilustrar tal tese, tem-se a história de Malcoml X, que viu sua trajetória mudar após frequentar a biblioteca do sistema prisional de Charlestown. Por conta disso, ele conseguiu compreender-se, através dos livros, e perceber que sua caminhada estava além as grades de aço da prisão. Provando, então, ser a leitura a melhor arma para usar a favor do seu futuro.
Posteriori, a sociedade e o Estado já enxergam os detentos com um olhar de discriminalização e exclusão. Mas, para que eles não se vejam dessa forma, apresentar-lhes obras, ficcionais ou não, na qual possam reconhecer-se humanos e cidadãos, é fundamental. Pode-se apontar, como exemplo, o longa “Escritores da Liberdade”, no qual uma professora de inglês preserva alunos da criminalidade que os cerca, apresentando-lhes obras literárias. Logo, fica claro que, a longo prazo, esse é o melhor investimento para mudar a vida de pessoas encarceradas.
Em suma, é perceptível que, para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade em cumprimento da lei, é prioritário o uso da literatura. Portanto, cabe ao Estado, através do Ministério da Cultura, abrir e manter bibliotecas em todas as penitenciárias do país. Além de incentivar projetos de leitura de obras clássicas, sobretudo as nacionais, semanalmente, a fim de ajudar na ressocialização desses cidadãos. E, assim, fazer jus às palavras de Confúcio.