A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 25/10/2022

No contexto social brasileiro, observa-se que uma grande quantidade de presídios, diante de uma precária estrutura, não possuem espaços para o investimento na ressocialização de detentos por meio da literatura. Esse panorama adverso mostra que o Estado e a sociedade civil falham, respectivamente, na estruturação desses espaços e na pressão popular por essas melhorias.

De fato, muitas penitenciárias carecem de espaços destinados à leitura. Esse problema apresenta relação direta com a displicência governamental, uma vez que isso ocorre, porque, muitas vezes, o dinheiro público dessas cadeias não é empregado com uma mentalidade que favoreça projetos de leitura de presidiários. Nesse contexto, Nelson Mandela disse: “A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”. No entanto, quando as autoridades optam por privar os detentos da literatura, de maneira oposta a essa celebre frase, a ressocialização é dificultada.

Outrossim, é válido ressaltar que muitos núcleos familiares falham quanto ao engajamento da pressão popular a respeito de projetos que incluam livros em presídios. Sob esse viés, essa deficiência é estabelecida, porque muitos pais não discutem com seus descendentes a importância de protestar por melhorias nesse processo de reintegração. Nessa perspectiva, a série “Anos incríveis” mostrou um episódio em que vários estudantes se mobilizaram para protestar contra a guerra vigente dos Estados Unidos contra o Vietnã. Esse enredo, de maneira análogo à realidade, mostra a importância de instruir os indivíduos nos lares a respeito de protestos sobre mudanças na reeducação de encarcerados.

Portanto, é preciso uma mudança da postura governamental e social sobre a ressocialização de presidiários com os livros. Assim, com o fito de investir nessa melhoria, urge que a União, por meio de realocação orçamentária, realize investimento de bibliotecas e saraus nas penitenciárias, diante de um prévio mapeamento dos estados em relação às zonas precárias de literatura. Por fim, as famílias devem realizar diálogos frequentes que promovam o engajamento na pressão popular por melhorias na área da reeducação de detentos.