A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 25/10/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como o desprezo com a ressocialização de detentos por intermédio da literatura. Nessa perspectiva, tal panorama decorre de uma vasta negligência governamental agregada a uma significativa banalização e preconceito público e midiático.

Diante desse cenário, é fulcral ressaltar o descaso do governo na criação de medidas que visem a redução desse óbice. Sob esse viés, o filme Cidade de Deus, apresenta a história de Zé pequeno, menino preto, periférico e pobre o qual não é visto como potencial consumidor e, assim, é marginalizado pela sociedade, sendo tratado como uma mestástase que deve ser eliminada. Nesse contexto, devido a indolência do Estado com esses cidadãos, é transmitido nas escolas a literatura pelo “olhar do homem branco”, conforme exposto pela Estação Primeira de Magueira, em 2019, “a história que a história não conta”. Logo, é mister que sejam tratados nos colégios a importância da população preta na trajetória do Brasil.

Ademais, salienta-se a banalização pública e midiática que ainda hoje se mostra em vigor, isso porque, seguindo essa análise, o livro “Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro, aborda como o racismo estrutural se apresenta em suas várias facetas. Bem como, traz temas que pontuam o policial branco prendendo e espancando um jovem preto por andar na rua com as mãos no bolso, mesmo que desarmado. Outrossim, é a falta de oportunidade que a sociedade dá aos presos, visto que, enquanto detidos não acessam seus direitos à dignidade humana como cidadãos, sendo submetidos a diárias agressões e insalubridades.

Portanto, é de indubitável importância que o Governo Federal, na condição de garantidor dos direitos individuais, promova políticas públicas para mitigar esse imbróglio. Para tanto, é necessária a implementação de leis que assegurem a execução dos Direito Humanos no sistema carcerário e a reescrita dos livros literários colocando o preto como primordial no processo formador do país, por meio da liberação de verbas e contratação de profissionais da área. Em suma, se almejará o maior bem-estar e a coesão geral, tal como, a diminuição do empecilho.