A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 26/10/2022

Na música “Diários de um Detento”, do Racionais MC’s, é ilustrado a realidade de presos que possuem a identidade, história e humanidade apagadas, já que as políticas aplicadas dentro das cadeias no Brasil não estimulam suas características pessoais. Logo, a criação de projetos que estimulam a leitura entre os presidiários é importante para que eles recuperem essas características e sejam reintegrados na sociedade.

Primeiramente, é preciso destacar que a reeducação e ressocialização de detentos é essencial para que, quando forem incluídos novamente na sociedade livre, ocorra uma mudança no rumo de vida desses indivíduos, afastando-os da criminalidade. Entretanto, normalmente, as políticas aplicadas nas cadeias brasileiras não incentivam a transformação dos presidiários, muitas vezes, são o motivo da falta de “efetibilidade” no cumprimento da função da carcerização no nosso país. Então, é possível concluir que os livros, além de terem o papel de garantir um acesso as características pessoais, que, como é mostrado no rap, são perdidas pelos detentos, também teríam o poder de transformá-los e reeducá-los.

Devemos levar em consideração que alguns presídios não fornecem um meio dos presos terem contato efetivo com a leitura e nem projetos que criem uma valorização da literatura entre eles . É necessário lembrar que o Artigo 215, da Constituição Brasileira de 1988, garante a democratização e maior valorização de diferentes bens de cultura, como os livros - principalmente da literatura nacional. Sendo assim, a disponibilização e introdução fácil à literatura deveria ser um direito garantido a todos os cidadãos, porém, isso não ocorre para esses detentos, mesmo que alguns projetos com uso de livros para reassociação de presidiários já mostrem resultados positivos.

Portanto, para que haja maior criação e adesão dessas políticas e projetos, é necessário que o Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Educação, produza e garanta maior aplicabilidade de diferentes projetos que incentivem a leitura dentro das penitenciárias, onde desenvolveriam clubes de livros que incentivariam o interesse pela literatura e também escrita, para que as histórias de cada um não sejam apagadas.