A literatura como meio de ressocialização de detentos

Enviada em 25/10/2022

Na obra “A república”, o filósofo Platão idealiza uma sociedade capaz de alcançar a perfeição, desde que a educação e a razão sejam os pilares essenciais. No entanto, ao presenciar a ressocialização de detentos, entende-se que essa concepção ainda não é uma realidade no Brasil, visto que o governo brasileiro mantém uma postura passiva e inerte. Nessa lógica, isso ocorre, principalmente, em virtude da falta de políticas educacionais dentro das cadeias - o que promove uma reincidência de crimes cometidos pelo sujeito.

Nesse contexto, a falta de políticas educacionais no ambiente prisional simboliza um problema estrutural e atemporal, à medida que somente com o auxílio da educação poderá haver uma mudança significativa na sociedade. Nesse sentido, segundo a “atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão George Simmel - o sujeito passa a agir com indiferença em meio às situações a que deveria dar atenção. Nesse raciocínio, ao analisar a permanência deste entrave, o ser humano é inclinado a adotar essa “atitude”, tornando-se passivo e inerte à problemática.

Outrossim, é fundamental destacar a reincidência de crimes como um seguimento da parcimônia do Estado, dado que é o responsável por assegurar os direitos presentes na Constituição Federal de 1988, que mesmo privado de liberdade, o cidadão mantém seus direitos . Para tanto, conforme o filósofo Rousseau: “o homem é produto do meio onde vive, da sociedade e da educação”. Partindo desse pressuposto, entende-se que o cidadão brasileiro, inserido em um cenário que negligencia a problemática e permite a sua continuidade, tende a perpetuar essa conduta e, sobretudo, enxergar esse panorama como irrelevante.

Constata-se, portanto, ser necessário atenuar o quadro vigente. Para que isso aconteça, o Estado - principal responsável pela harmonia social - deve incentivar a educação pela literatura dentro dos presídios. Tal medida será cumprida e efetivada por meio de horários reservados para essa atividade, com o objetivo de reeducar os detentos e fornecer meios para uma ressocialização mais efetiva à sociedade. Dessa forma, a literatura será uma forte aliada na volta desses sujeitos ao corpo social.